domingo, junho 09, 2013

47ª Edição - Arménio Vieira - "O Brumário" e "Derivações do Brumário"


Hoje voltamos a convocar o patrício, prémio Camões, Arménio Vieira. Vamos conferir o seu mais recente trabalho, dois livros gémeos lançados de uma assentada esta semana: “Brumário” e “Derivações do Brumário”. Vamos ver se há seiva a escorrer destes livros de poesia tal como jarra nos seus outros livros, principalmente nos romances “O Eleito do Sol” e “No Inferno”. O próprio autor já avisa que "a leitura não é fácil, é para gente culta". É realmente preciso boa cultura livresca para se entender as evocações de grandes escritores do mundo e de suas obras como também de seus personagens, e também para se entender as referências históricas. São Livros para ler com calma, refletir e também revisitar estes vultos da literatura e da história universal, principalmente ocidental. Mas, aqui no programa, como lemos para os outros, o que procuramos é a seiva para podermos encantar os ouvintes e deixar-lhes com aquela vontade de ler. E realmente esta obra do Arménio Vieira é no mínimo desconcertante, não nos deixa indiferentes. No primeiro nos espanta, nos revolta, depois cativa nossa curiosidade e sem nos darmos conta já começamos a sentir a um certo gosta da seiva poética.
Esta obra foge a todas as regras tradicionais da poesia deste o estilo, à estética, aos temas, como o encadeamento. È assim Arménio Vieira, simplesmente um poeta como ele próprio se caracteriza. Antes da leitura vem a música. Música com seiva, claro. E há muita seiva a escorrer desta música “Nôs Fe” do grande compositor Betu na voz fenomenal de Mirri Lobo.



Com 72 anos, Arménio Vieira, Prémio Camões em 2009, diz-se simplesmente um Poeta. Começou como colaborador de revistas e suplementes literários desde o início dos anos 60. Publicou a compilação Poemas em 1981; a novela “O eleito do Sol” em 1990; o romance “No Inferno” em 99; o livro de poemas Mitografias em 2006; e “O Poema, a viagem, o sonho em 2010. Arménio Vieira disse à agência Lusa que a obra “Brumário” e “Derivações do Brumário” tem um tom "revolucionário", não fosse "brumário" mais do que uma metáfora à revolução francesa, pois a palavra era o segundo mês do calendário da primeira República gaulesa.

46ª Edição - Mia Couto - A Varanda do Frangipani


Hoje voltamos a beber da seiva de Mia Couto. É a terceira vez que o lemos aqui no Seiva das Letras. Na segunda vez trouxemo-lo com a justificação de que escoria muita seiva da sua pena. E desta vez, o caro ouvinte já sabe dos motivos para revisitarmos este escritor moçambicano: Nesta segunda-feira ganhou o prémio maior da literatura de língua portuguesa, o Prémio Camões.
Parabéns pois a Mia Couto, um prémio considerado praticamente por toda a crítica como mais do que merecido.
O inventor de palavras é o 25º vencedor do galardão, e o segundo no seu país. O mestre Craveirinha já o havia ganho em 1991. Ele também que já fez as delícias dos ouvintes aqui no Seiva das Letras com o conto Hamina.
Hoje vamos ler um trecho de "A Varanda do Frangipani". Vamos ouvir também a boa música de costume. Pra ouvir: Música Moçambicana com um dos seus maiores representantes Stewart Sukuma que aqui faz um dueto com a brasileira Elizah na música Wulombe. Oiçamos:



Não é que precisa de apresentação, mas Mia Couto, de seu nome próprio António Emílio Leite Couto, nasceu na Cidade da Beira (Moçambique) em 1955. Publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique. Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo".
Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos. No entanto, estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983). Depois, publicou dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990). Em 1992 deu a estampa o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos e da língua portuguesa mais traduzidos.
Outros livros do autor são: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996) e que lemos hoje aqui no programa; "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); “Cronicando” (1998); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004). “Pensatempos” (2005); Idades, Cidades, Divindades (2007). Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008). Jesusalém [no Brasil, este livro tem como título Antes de nascer o mundo] (2009). Publicou ainda “E se Obama fosse africano e outras interinvenções” (2011). Também em 2011 deu a estampa “Tradutor de Chuvas”. Para no ano seguinte publicar “A Confissão da Leoa”.
Mia Couto ainda escreveu para os mais novos o livros: “A Chuva Pasmada" (2004), "O beijo da palavrinha" (2006), O Outro Pé da Sereia" (2006), e "O Gato e o Escuro" (2011) ".
O escritor confessou a nossa emissora que esta trabalhando num livro que resgata a e estória do mítico Gongonhana, um personagem que atravessa várias culturas africanas.

45ª Edição - Jorge Amado - Mar Morto


Hoje propomos revisitar o escritor Brasileiro Jorge Amada e esfolhar as primeiras páginas do seu livro “Mar Morto”. … Jorge Amado nasceu a 10 de agosto de 1912 no município de Itabuna na Bahia. Faleceu em 2001. … Seus livros foram traduzidos para quase todas as línguas. Jorge Amado Foi Membro da Academia Brasileira de Letra, ocupando a cadeira de nº 23. Iniciou sua carreira de escritor com obras de cunho regionalista e de denúncia social. Passou por várias fases até chegar na fase voltada para crónica de costumes. Politicamente comprometido com ideias socialistas foi preso duas vezes, uma em 1936 e outra em 1937. Exilado, viveu em Buenos Aires, França, Praga e em vários outros países com democracias populares. Voltou para o Brasil em 1952. Entre suas obras adaptadas para a televisão, cinema e teatro estão "Dona Flor e Seus Dois Maridos", "Gabriela Cravo e Canela", "Tenda dos Milagres" e "Tieta do Agreste". Sob som ambiente… Propomos então ler um trecho deste livro Mar Morto, as páginas iniciais, com o título tempestade. Mar Morto pertence a primeira fase de escrito do autor. A história acontece no Cais da Bahia, onde viviam os marinheiros, e um dos mais antigos era Seu Francisco que criava o sobrinho Guma, ensinando-lhe as leis do mar. Guma, com o tempo, tomou conta do saveiro chamado Valente. A fama de Guma no cais ocorreu em uma noite de tempestade, onde Guma, com o seu Valente, salvou um navio (Canavieiras) que iria naufragar. Depois disso, Guma conheceu Lívia, uma das moças mais bonitas do cais, casou-se com ela e foram morar com Seu Francisco, onde ao lado deles foram morar Rufino (um grande amigo de Guma) e Esmeralda. Viviam muito bem, até que Guma envolveu-se com Esmeralda que o perseguia, Rufino descobriu, matou Esmeralda e depois matou-se de desgosto. Logo depois, Lívia descobriu que estava grávida. Guma, com remorso de ter traído Rufino e Lívia, pegou o Valente e foi para o mar e bateu nas pedras. Não morreu, mas o Valente ficou totalmente destruído. Lívia teve o filho que se chamava Frederico e Guma estava feliz com o filho, mas ao mesmo tempo arruinado por ter perdido seu saveiro. Sem escolha, começou a contrabandear seda (já tinha comprado outro saveiro) para os árabes. Numa dessas viagens, o filho de um dos árabes tinha ido junto para Porto de Santo Antônio, mas caiu no mar. Guma pulou no mar e conseguiu salvá-lo, mas morreu com seu ato de coragem. Lívia ficou com Frederico e o Seu Francisco, e tomaram conta do saveiro (de nome Paquete Voador) apenas com a lembrança de Guma que ficará na memória do cais, principalmente porque após sua morte as águas do mar se tornaram calmas e mortas, mas também por ele ter sido um homem de coragem e bom coração. Antes da leitura do trecho vamos a música. Música inpirada na Bahia… Vinicius de Moraes e Toquinho cantam Tarde em Itapuã.

44ª Edição - Isabel Allende - O Caderno de Maya


Hoje propomos revisitar Isabel Allende e esfolhar as primeiras páginas do seu livro “O Caderno de Maya”. Como o ouvinte deve saber Isabel Allende é uma escritora chilena, apesar de ter nascido no Peru em 2 de Agosto de 1942. Atualmente vive nos Estados Unidos da América. Isabel Allende é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende. Escreveu A casa dos espíritos em 1982 e ganhou reconhecimento de público e crítica. Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. Sua filha não voltou do coma e morreu um tempo depois. Isabel Allende tem várias obras publicadas entre romances, contos, teatro e memórias. O seu mais recente livro, é o que propomos ler hoje e intitula-se “O Caderno de Maya”.

Fique também com um belo dueto entre Alessandro Sanz e Ivete Sangalo na música "No me compares"


43ª Edição - José Rodrigues dos Santos - A Vida Num Sopro


E Hoje todo o prazer da leitura fica a cargo do Jornalista e Escritor Português José Rodrigues dos Santos. Vamos ler um trecho de "A Vida Num Sopro"


José António Afonso Rodrigues dos Santos nasceu na antiga colónia portuguesa de Moçambique há 48 anos. Atualmente, é diretor de informação e apresentar do Telejornal na RTP. Além da sua mais conhecida faceta como jornalista, José Rodrigues dos Santos é também um ensaísta e romancista. Especialmente nesta última vertente, tornou-se dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar maior número de edições com livros que venderam mais de cem mil exemplares cada. Até ao final de 2012 publicou quatro ensaios e dez romances. O romance de estreia, intitulado A Ilha das Trevas foi dado a estampa em 2002. Depois seguiram-se os romances: A Filha do Capitão, editado em 2004; O Codex 632, publicado em 2005; A Fórmula de Deus, dado a estampa em 2006; O Sétimo Selo de 2007; A Vida Num Sopro, de 2008; Fúria Divina 2009; O Anjo Branco, de 2010; O Último Segredo, 2011; e A Mão do Diabo, editada no ano passado.

42ª Edição - Frederich Nietzsche - Assim Falava Zaratustra


Hoje propomos uma leitura diferente, nosso convidado de hoje é Frederich Nietzsche, através da sua obra Assim Falava Zaratustra.
Certamente tem a referência de Nietzsche como filósofo, mas propomos a leitura de um trecho inicial de Zaratustra pela beleza do discurso, enfim pela seiva apreciável da narração.
Friedrich Nietzsche nasceu numa família luterana em 15 de Outubro de 1844, na Alemanha. Seus dois avós eram pastores protestantes; o próprio Nietzsche pensou em seguir a carreira de pastor. Entretanto, Nietzsche rejeita a "fé" durante sua adolescência, e os seus estudos de filosofia afastam-no da carreira teológica.
Em 1882 começa a escrever, o livro que temos entre mãos, Assim Falava Zaratustra. Nietzsche não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 3 de Janeiro de 1889 com uma "crise de loucura" que, durando até a sua morte, coloca-o sob a tutela da sua mãe e sua irmã. No início desta loucura, Nietzsche encarna alternativamente as figuras de Dionísio e Cristo, expressa em bizarras cartas, afundando depois em um silêncio quase completo até a sua morte. Uma lenda dizia que contraiu sífilis. Estudos recentes se inclinam antes para um cancro no cérebro, que eventualmente pode ter origem sifilítica. …
Nietzsche publicou várias obras, destacamos aqui as mais importantes… O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música de 1872; Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres publicado em1886; A Gaia Ciência, traduzida também com Alegre Sabedoria, ou Ciência Gaiata de 1882 — No terceiro capítulo deste livro é lançado o famoso diagnóstico nietzschiano: "Deus está morto. Deus continua morto. E fomos nós que o matamos", Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (1883-85). O Anticristo - Praga contra o Cristianismo dada a estampa em 1888. Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é do mesmo ano1888 — Uma autobiografia.


Assim Falou Zaratustra é um livro escrito entre 1883 e 1885. O livro foi escrito originalmente como três volumes separados em um período de vários anos. Depois, Nietzsche decidiu escrever outros três volumes mas apenas conseguiu terminar um, elevando o número total de volumes para quatro. Após a morte de Nietzsche, ele foi impresso em um único volume. O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, que se auto-nomeou Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para explorar muitas das ideias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o Novo testamento. O centro de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente significa "além-do-homem", e normalmente traduzido como "super-homem". Zaratustra contém a famosa frase "Deus está morto", embora essa também tenha aparecido anteriormente no livro A Gaia Ciência. Os dois volumes finais não terminados do livro foram planejados para retratar o trabalho missionário de Zaratustra e sua eventual morte.

41ª Edição - Mo Yan - Peito Grande, Ancas Largas


Hoje temos como convidado o prémio Nobel de literatura 2012, o chinês, Mo Yan, através do seu livro Peito Grande, Ancas Largas.Já agora a tradução portuguesa é feita do inglês por João Martins. A Edição é da editora portuguesa Babel.
Este Peito Grande, como podemos ler na contra capa, foi editado na china em 1995. Antes da leitura, vem sempre a música, e para condizer música chinesa.


40ª Edição - Sérgio Frusoni - Poemas


Bem vindos ao Seiva das Letras - Nosso cantinho de leitura e espaço para revisitarmos grandes nomes da literatura nacional e internacional. E como já sabem aqui o prazer da leitura vem sempre embrulhado no prazer da boa música.
E hoje vamos ler poesia de um grande cabo-verdiano. Uma poesia terra-a-terra, quotidiana, uma poesia que deixa transparecer a alma do cabo-verdiano, mais concretamente de um mindelense que amou a sua ilha de São Vicente mais do que tudo. Não poderíamos estar a falar de outra pessoa se não dele… Sérgio Frusoni.
Sérgio Frusoni é de origem italiana. Ambos os seus pais eram italianos. Mas Sérgio Bonucci Frusoni nasceu no Mindelo.
Temos entre mãos esta preciosíssima obra de Mesquitela Lima que faz uma leitura antropológica da poética de Sérgio Frusoni. Um livro que me foi empreste pela Biblioteca Nacional.
Fiquemos também com música… e nada melhor do que ouvirmos a própria música composta por Sérgio Frusoni. É verdade: "Tempo de Canequinha" ou "Um vez soncente era sabe" na voz no também grande grande Bana.

39ª Edição - Safo - Poemas


Bem-vindo ao Seiva das Letras, todo o prazer da leitura!
Hoje nosso cálice vai encher e transbordar do néctar destilado por Safo, poetiza grega do século VI antes de Cristo.
Pois é, hoje, vamos viajar até a antiguidade grega, guiados por esta ideia romântica de vermos Safo, linda e esbelta de pés descalços nos jardins de Lesbos a derramar melodias com a sua lira, enquanto canta suas poesias para suas alunas, pelas quais morre de paixão. Falar de Safo não é todavia fácil já que as histórias e os dados sobre ela são por vezes controversos e fragmentados.
Antes da leitura vem, a música, pra ouvir, já agora, música grega, canta Dimitris Kontogiannis.


Mas parece consensual que Safo nasceu nos anos seiscentos antes de Cristo, na ilha de Lesbos na Grécia. Tudo indica que Safo provinha de uma família rica.
Crê-se que Safo escreveu nove livros de odes, cantos de boda, elegias e hinos, mas apenas poucos fragmentos dessas obras chegaram aos nossos dias. Os nove livros parecem ter sido organizados segundo a métrica da poesia. O primeiro livro, por exemplo, só contém poemas escritos em sáfico, um tipo de verso que ela inventou. O sáfico consiste em uma estrofe de quatro linhas, sendo que as três primeiras linhas têm onze sílabas cada e a quarta linha, cinco.
Enquanto outros poetas glorificaram deuses e heróis, os poemas de Safo, em geral, eram sobre amor, morte e paixão e estavam repletos de cenas idílicas da vida na Grécia e da vida das mulheres.
Um dos fragmentos de sua poesia que chegou aos nossos dias é a Ode de Afrodite, que foi citada pelo estudioso Dionísio de Halicarnasso no século I a.C. A obra de muitos poetas gregos que vieram depois, inclusive a de Teócrito, traz a marca da influência de Safo.
Safo era uma poetiza tão renomada que, dois séculos depois de sua morte, Platão a chamou de a ”décima musa”.
Safo ensinou música e poesia à um grupo de jovens mulheres aristocratas e, quando elas se casavam, compunha uma ode especial para a ocasião. Ela também inventou uma lira de vinte e uma cordas, com a qual se acompanhava quando cantava seus poemas. Segundo o poeta Anacreonte, Safo sentia atracão sexual pelas suas alunas. É desta suposta relação com as sua alunas que provém os termos safismo e lesbianismo para se referir a homossexualidade feminina.

38ª Edição - Nicci French - Killing Me Softly


Olá! Benvindo à Sessão de Leitura desta semana aqui no Seivas das Letras.
Hoje apresentamos-lhe Killing me Softly. Não nos referimos propriamente a música mas a este livro escrito a duas mãos, por Nicci Gerard e Sean French.
Nicci Gerard é licenciada em literatura inglesa pela Universidade de Oxford. Seguiu a sua carreira como jornalista na área das artes e letras. No jornal Statesmen veio a conhecer o seu futuro marido e co-autor, Sean French, também jornalista e seu colega de curso. Juntos assumiram o pseudónimo literário de Nicci French.
Sob este nome e num processo de escrita que ambos caracterizaram de "folie à deux", trouxeram ao público best-sellers como "A Dirty Death" e "The Memory Game".
Killing me Softly é o terceiro romance fruto desta simbiose literária e o primeiro a ser editado em Portugal.
Fiquemos com a música, e já agora a música que tem o mesmo título do livro: Killing me Softly, na voz do grande, grande, Frank Sinatra.

37ª Edição - Guillaume Musso - E Depois...


Relaxe-se e aprecie a leitura de um trecho de “E Depois…” do Escritor Francês Guillaume Musso.
Guillaume Musso nasceu em 1974 e descobriu a literatura aos dez anos…, idade em que decidiu que um dia haveria de escrever livros. Inspirado pela cidade de Nova Iorque, onde viveu aos dezanove anos e travou conhecimento com viajantes de todo o mundo, regressou à sua França natal para estudar Ciências Económicas. É hoje um dos autores franceses preferidos pelo grande público.
O livro que temos entre mãos «E Depois...» já foi parar ao grande ecrã.., o filme Afterwards, “Depois de Partir” na tradução portuguesa, foi produzido por Gilles Bourdos, sendo John Malcovich um dos actores. Antes da leitura vem a música. Fiquemos com Linkin Park e faixa The Messenger.
Este seu «E Depois...» foi o seu romance de estreia, dada a estampa em 2004, e que se tornou de imediato sucesso de vendas, traduzido em 22 línguas, com milhões de exemplares vendidos por todo o mundo. Guillaume Musso escreveu ainda outros sucessos como «Salva-me», «Estarás aí?», «Porque te amo» e «Volto para te levar».


Neste romance Nathan Del amigo, o personagem principal, é um brilhante advogado nova-iorquino, mas fracassado na vida pessoal. Ele conhece Garrett Goodrich um reputado cancerologista capaz de prever a morte. Goodrich, prova-o isso mesmo, quando num terraço de um prédio indica-lhe um rapaz que ia morrer, e em menos de um minuto o adolescente dá um tiro na cabeça". Nathan fica aterrorizado e como o médico não lhe diz claramente o que pretende dele, desconfia que Goodrich previu a sua morte e quer prepará-lo antes de morrer. Então Nathan numa corrida contra o tempo, tenta reparar os seus erros passados. Mas será que podemos, no espaço de alguns dias, reconstruir toda uma vida? É este o trama que tem no final um desenlace surpreendente, que não vou agora contar. Basta dizer que vale a pena conferir este “e depois…” de Guillaume Musso. Vamos então a leitura de um trecho deste romance.

36ª Edição - Carlos Luis Záfon - A Sombra do Vento


Receba os cumprimentos de Humberto Santos e Ilson Andrade. O prazer é todo nosso de estarmos na sua companhia. Hoje trouxemos como sugestão de leitura “A Sombra do Vento, do escritor espanhol Carlos Luis Záfon. Um belíssimo livro que vale mesmo a pena conferir." Vamos ler um trecho, das páginas iniciais do livro, que sub intitula O Cemitério dos Livros Esquecidos". Pra ouvir: "Para tu amor" de Juanes. Boa Escuta!!!

35ª Edição - Sérgio Luiz Gallina - O Cavaleiro do Templo


Ora viva. Obrigado por nos receber aí onde quer que esteja. Deixa-se ficar e delicia-se com um cálice de Seiva das Letras.
Hoje propomos a leitura de um trecho de O Cavaleiro do Templo, um romance histórico, referente ao tempo das Cruzadas, e que conta em 4 volumes a saga da família de Anna da Bretanha. A Obra é do escritor Brasileiro Sérgio Luiz Gallina. Ele é um pesquisador medieval, membro da Associação Brasileira de Estudos Medievais (ABREM) e membro do GT Estudos Medievais da Associação Nacional dos Professores Universitários de História (ANPUH/RS). Com formação na área de Informática e Gestão Empresarial, Gallina, natural de Porto Alegre, começou a trabalhar neste projeto há cerca de 10 anos influenciado pela leitura do polêmico livro-reportagem "O Santo Graal e a Linhagem Sagrada", de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln.
Não perca então a leitura de um trecho do primeiro capítulo do primeiro volume da saga O Cavaleiro do Templo.
A música que vamos ouvir é uma Canção alusiva às cruzadas composta para encorajar os cristãos a participar na campanha contra a invasão islâmica da Espanha. A cruzada resultante deu na grande vitória de Las Navas de Tolosa em 1212” vamos ouvir.


34ª Edição - Ernest Hemingway - O Velho e o Mar


Ora viva cá estamos nós para mais uma sessão de leitura. Bem-vindo ao Seiva das letras, todo o prazer da leitura e da boa música também. Este programa faz-se com a música das letras e com as letras das músicas. Um espremedor do alfabeto para produzir uma seiva que possa ser apreciada. Ernest Hemingway faz hoje as honras da casa com a sua premiada obra "O velho e o mar". Ainda vai poder ouvir a música fisherman blues dos Whaterboys.

“A história tem como personagem principal um velho pescador chamado Santiago. Apesar de muito experiente, Santiago se acha em uma maré de azar, tendo ficado quase três meses sem conseguir pescar um peixe. Porém, numa manhã e com os insistentes incentivos do seu jovem amigo Manolín, Santiago consegue um peixe, de tamanho descomunal, com aproximadamente seis metros de comprimento. O peixe oferece muita resistência, e puxa a canoa de Santiago cada vez mais para o mar alto. Santiago sofre com o sol cegante e abre feridas nas mãos, de tanto lutar com o peixe. Depois de alguns dias, Santiago consegue finalmente matar o peixe e amarrá-lo à sua canoa. Porém, enquanto retornava a costa, sofre constantes ataques de tubarões. Quando finalmente consegue chegar a praia, o peixe já estava sem carne, só restava seu esqueleto, e Santiago estava sem forças. Os outros pescadores, vendo tamanho peixe, o maior que alguém já havia pescado, o respeitam.


Ernest Hemingway foi um escritor norte-americano. "Por quem os sinos dobram" e "O velho e o mar", são os seus livros de maior destaque. Recebeu o premio Pulitzer com o livro "O velho e o Mar", em 1953 e o Nobel de Literatura em 1954. Nasceu em Oak Park, Illinois, nos Estados Unidos. Com 17 anos já escrevia para um jornal em Kansas City. Com o início da Primeira Guerra Mundial, entra como voluntário para o exército italiano. Ferido, permaneceu longo tempo hospitalizado. Foi condecorado pelo Governo Italiano. Foi correspondente de guerra em Madri, durante a Guerra Civil Espanhola. Foi um dos principais representantes do ciclo literário norte-americano iniciado nos anos 20, o da “geração perdida”. Famoso pelo estilo de vida aventureiro, sua biografia e obra têm como cenários touradas na Espanha, caça submarina em Cuba e safáris na África. Hemingway é fascinado pelo perigo e pela vida selvagem. Jornalista na juventude, leva para a literatura o estilo sintético do jornalismo. Nota-se essa concisão principalmente em obras que refletem sua experiência pessoal. Ernest Hemingway casou várias vezes, morou muitos anos em Cuba, tornando-se amigo de Fidel Castro. Em 1954, ganha o Prémio Nobel de Literatura. Doente, suicida-se com um tiro no dia 2 de Julho de 1961. Obras principais: "O Sol Também se Levanta" (1926), "Adeus às Armas" (1929), "As Verdes Montanhas da África" (1935), "Por Quem os Sinos Dobram" (1940), "O Velho e o Mar" (1952). Vários de seus contos e romances foram levados ao cinema.

33ª Edição - Gaston Leroux - O Fantasma da Ópera


Olá, bem vindo ao Seiva Das Letras! Hoje vamos ler para si um trecho de O Fantasma da Ópera, este romance magnífico do francês Gaston Leroux. Vai poder ainda ouvir uma das músicas extraídas do filme com o mesmo nome baseado no livro. Difícil foi escolher o trecho para lermos dado a beleza deste livro no seu todo”. Mas não temos tempo aqui, para além de um trecho. A Obra “Le Fantôme de l'Opéra” (O fantasma da ópera ) Publicada pela primeira vez em 1911, foi desde então adaptada inúmeras vezes ao cinema e atuações de teatro. Atingiu o seu auge ao ser adaptada para a Broadway, por Andrew Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe. O espectáculo bateu o recorde de permanência na Broadway (superando Cats), e continua em palco até hoje desde a estreia em 1986. É o musical mais visto de sempre, e a produção de entretenimento com mais sucesso que alguma vez existiu.

Na obra original de Leroux, a ação desenvolve-se no século XIX, na Ópera de Paris, um monumental e luxuoso edifício, construído entre 1857 e 1874, sobre um enorme lençol de água subterrâneo. Os empregados afirmam que a ópera se encontra assombrada por um misterioso fantasma, que causa uma variedade de acidentes. O fantasma chantageia os dois administradores da Ópera, exigindo que continuem lhe pagando um salário de 20 mil francos mensais e que lhe reservem o camarote número cinco em todas as atuações. Entretanto, a jovem inexperiente bailarina (e mais tarde cantora) Christine Daaé, acreditando ser guiada por um "Anjo da Música", supostamente enviado pelo seu pai após a sua morte, consegue subitamente alguma proeminência nos palcos da ópera quando é confrontada a substituir Carlotta, a arrogante Diva do espetáculo. Christine, que recebe aulas de canto do fantasma, conquista os corações da audiência na sua primeira atuação, incluindo o do seu amor de infância e patrocinador do teatro, o Visconde Raoul de Chagny. Erik, o Fantasma, vive no "mundo" subterrâneo que Christine considera um lugar frio e sombrio, onde ela percebe que o seu "Anjo da Música" é na verdade o Fantasma que aterroriza a ópera. E mais não conto para poder ir descobrir por si, se ainda não leu o livro. Tanto o Livro, como o filme e os musicais podem ser encontrados na Internet.


Quanto ao autor do livro, Gaston Leroux, foi um bon vivant.., desistiu do curso de Direito e foi trabalhar como jornalista no L’Écho de Paris; usou seu amor ao teatro para escrever críticas e seus conhecimentos de tribunal para cobrir julgamentos. O sucesso foi imediato e logo ele estava ganhando muito mais no jornal Le Matin. Leroux virou uma celebridade, descrevendo como era ficar na beira do vulcão Vesúvio em erupção, o massacre dos arménios pelos turcos, os motins do mar Negro, um encontro secreto do Czar com o Kaiser Guilherme II. Embora apaixonado por sua profissão, certa noite, ao ser acordado às três da manhã pelo editor, que o mandou pegar um comboio para Toulon para escrever sobre a explosão de um navio de guerra, mandou tudo pelos ares. Era 1907 e ele declarou ao tal editor que desistia do jornalismo e se tornaria romancista a tempo inteiro. O seu primeiro livro, “busca dos tesouros da manhã”, foi publicado em 1903. Mas foi com a publicação de “O mistério do quarto amarelo”, que se decidiu mesmo ser um escritor para valer. Outro de seus livros, são: O rei do mistério, A poltrona assombrada, A boneca sangrenta, O coração roubado e o mais famoso de seus livros, O fantasma da Ópera. Ao sair, em 1911, não chamou grande atenção. Mas depois virou um grande sucesso e levou muitos escritores populares a imitar seu estilo vivo e jornalístico, sua magistral forma de utilizar a pesquisa histórica de maneira leve e interessante. Leroux viveu o bastante para desfrutar a fama renovada trazida pelo filme. Nos seus últimos dias, morou na rua Gambetta, num casarão chamado Palácio da Estrela do Norte. Em 15 de abril de 1927, morreu em conseqüência de complicações de um ataque agudo de uremia, depois de uma operação. Deixou ainda um romance, A mansarda de ouro, publicado postumamente.

32ª Edição - Zofia Kossak - O Rei Leproso


Ora Viva!! Estamos levando até si mais um cálice de Seiva das Letras – todo o prazer da leitura.
Hoje trouxemos para ler “o Rei leproso” também conhecido como “o Santo Sepulcro”, da escritora polonesa Zofia Kossak.
Antes da leitura vamos a música. Para ouvirmos “Vide Cor Meum and death Baldoino IV”. Música dedicada ao Rei Leproso - Baldoino IV Rei Cristão em Jerusalém, durante as cruzadas. O Rei que fez diplomacia com Saladin - O Grande - Rei dos Mulçumanos. Baldoino era conhecido como o Rei Leproso, devido a doença que o atingia. Boa Escuta!!


Zofia Kossak nasceu em agosto na Polônia e estava destinada a ser uma das mais importantes escritoras polonesas e um exemplo de vida. Antes da II Guerra, participou do grupo literário Czartak, fundado por Emil Zegadłowicz, e escreveu para a imprensa católica. É deste período o livro Conflagração, sobre a Revolução Russa de 1917. Em 1936 recebeu a Láurea de Ouro (Zloty Wawrzyn). Destaca-se entre os melhores autores de romances históricos poloneses. O que não é pouca coisa, se lembrarmos que entre eles figuram Henryk Sienkiewicz (autor de Quo Vadis e prêmio Nobel de literatura) e Józef Ignacy Kraszewski, autor de mais de 200 obras. Entre seus livros mais conhecidos: Krzyżowcy (Cruzados, 1935), Król trędowatu (Rei Leproso, traduzido ao inglês como The Leper King e ao português como O Santo Sepulcro, 1936), sobre as cruzadas; e Bez oręża (Sem Exército, traduzido ao inglês como Blessed are the Meek e ao português como Bem-Aventurados os Humildes, 1937), sobre Francisco de Assis. De 1939 a 1941 co-editou Polska zyje (Poland Lives- A Polônia Vive) e em 1941 co-fundou a organização católica Frente para o Renascimento da Polônia e editou seu jornal, Prawda (Verdade). Apesar de ser procurada pela Gestapo, expôs-se ao ajudar os judeus, motivada por seus valores morais, humanitários e patrióticos. Encarava as ações alemãs, disse, “como uma ofensa contra o homem e Deus, e suas políticas como uma afronta aos ideais que esposava para uma Polônia independente”. No verão de 1942, quando começou a liquidação do Gueto de Varsóvia, Zofia publicou um documento que se tornou histórico: Protesto — impresso clandestinamente e do qual foram distribuídas 5.000 cópias. Nele descrevia, em termos candentes, as condições de vida no gueto, as circunstâncias horríficas em que as deportações estavam a se dar. Em 1943, foi presa. Levada primeiro para a prisão de Pawiak, dali para Auschwitz, onde foi mantida no campo de concentração adjacente àquele para o qual os judeus eram enviados, condenados ao extermínio. Foi liberada graças aos esforços da resistência. Voltou para Varsóvia e para a resistência. Em fins de 1944, participou do Levante de Varsóvia. Após a guerra, preferiu emigrar para a Inglaterra a viver sob o regime comunista polonês instaurado. Em 1957, ao término do período estalinista, voltou à sua pátria. Após a guerra, Zofia publicou Memórias do Campo, descrevendo suas experiências em Auschwitz; publicou ainda um livro sobre a família Kossak e em 1952 Alliance com temas bíblicos. Escreveu também livros para crianças e adolescentes. Faleceu em abril de 1968.

31ª Edição - Júlio Verne - A Volta ao Mundo em 80 Dias


Olá! É hora de pormos a leitura em dia. Bem-vindo ao Seiva das Letras, com Humberto Santos e Ilson Andrade. Hoje damos um pouco a conhecer Júlio Verne e esta sua “A Volta ao Mundo em 80 Dias”.

sábado, junho 08, 2013

30ª Edição - Paulo Coelho - O Alquimista


Paulo Coelho, escritor brasileiro, é nosso convidado de hoje. Ele é um dos 10 escritores vivos mais lidos em todo o mundo. Vamos ler um trecho do romance «O Alquimista». O livro brasileiro mais vendido de todos os tempos, e que já liderou também a lista dos livros mais vendidos em 18 países. Alquimista, segundo o site da academia de letras do Brasil, é um dos mais importantes fenômenos literários do século XX. Chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países. Tem sido elogiado por pessoas tão diferentes como o Prêmio Nobel de Literatura Kenzaburo Oe, o prêmio Nobel da Paz Shimon Peres, a cantora Madonna e a atriz Julia Roberts, que o consideram seu livro favorito. A edição ilustrada pelo famoso desenhista já foi publicada em vários países. The Graduate School of Business of the University of Chicago recomenda o romance no seu currículo de leitura. Também foi adotado em escolas da França, Itália, Brasil, Estados Unidos, dentre outros países. Já foi fonte de inspiração de vários projetos – como um musical no Japão, peças de teatro na França, Bélgica, EUA, Espanha, Portugal, Taiwan, Turquia, Itália, Suíça. É tema de duas sinfonias: na Itália, uma peça clássica pelo italiano Irlando Danieli para o Scala de Milão, e nos EUA, onde a BMG Classics lançou o CD “A Sinfonia do Alquimista”, pelo compositor Walter Taieb, inspirada em seu enredo. Os direitos de filmagem de O Alquimista foram adquiridos pela Warner Brothers, que está desenvolvendo o roteiro do filme Onze Minutos pela Hollywood Gang Production e Verônika Decide Morrer pela Muse Productions (VS); e Monte Cinco pela Capistrano Productions. Antes da leitura de um trecho de «O Alquimista», vamos a música: Música brasileira um belo dueto entre Milton Nascimento e Chico Buarque, na interpretação da música “O Que Será”.


Paulo Coelho tem tantos críticos que o detesta como os que o adora. Ele é criticado sobretudo por “maltratar a língua portuguesa” ao cometer vários erros ortográficos. Mas o certo é que Paulo Coelho faz as delícias de milhões de leitores pelo mundo. Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 24 de agosto de 1947. Segundo a sua Bibliografia publicada no site da Academia de Letras do Brasil… Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, Paulo Coelho trabalhou como diretor e autor de teatro, jornalista e compositor. Escreveu letras de música para alguns dos nomes mais famosos da musica brasileira, como Elis Regina e Rita Lee. Seu trabalho mais conhecido, porém, foram as parcerias musicais com Raul Seixas, que resultou em sucessos como “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Gita”, “Al Capone”, entre outras 60 composições com o grande mito do rock no Brasil. Paulo Coelho foi diretor da companhia discográfica CBS e do jornal Express Underground, professor de teatro e secretário de redação do jornal O Globo. Fundou a Revista em 2001. Atualmente, tem uma coluna semanal em O Globo, e em outros 48 jornais brasileiros. Escreve também para diversos outros jornais do mundo. Seu fascínio pela busca espiritual, que data da época em que, como hippie, viajava pelo mundo, resultou numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc. Em 1982, editou ele próprio seu primeiro livro, Arquivos do Inferno, que não teve qualquer repercussão. Em 1985, participou do livro O Manual Prático do Vampirismo, que mais tarde mandou recolher por considerá-lo “de má qualidade”. Um ano depois, em 86, fez a peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e, a partir dessa experiência marcante, escreveu O Diário de um Mago – O Peregrino, em 1987. No ano seguinte, publicou O Alquimista, que se transformaria no livro brasileiro mais vendido em todos os tempos. Outros títulos se sucederam: Brida (1990), As Valkírias (1992), Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei (1994), Maktub (coletânea das melhores colunas publicadas na Folha de S. Paulo, 1994), uma compilação de textos seus em Frases (1995), O Monte Cinco (1996), O Manual do Guerreiro da Luz (1997), Veronika Decide Morrer (1998), e O Demônio e a Srta. Prym (2000), a coletânea de contos tradicionais em Histórias para Pais, Filhos e Netos (2001), Onze Minutos (2003), O Gênio e as Rosas – ilustrado por Mauricio de Souza (2004), O Zahir (2005), Ser como um rio que flui (2006), A Bruxa de Portobello (2007), O Vencedor está só (2008) e O Aleph (2010). O

29ª Edição - Mia Couto - O ùltimo Voo do Flamingo


Ora viva, cá estamos nós para lhe oferecer mais um cálice de Seiva das Letras. Esteja confortável e aprecie um trecho do Livro "O Último voo do flamingo" do escritor Moçambicano, Mia Couto, um dos maiores da literatura portuguesa. Pois é Mia Couto é repetente aqui no programa, isto porque há muita seiva a escorrer da sua pena. E por falar em flamingo apetece-nos ouvir música Flamenga. Vamos recordar a dupla Camaron de la Isla e Tomatito com a canção: Fandango cantada ao vivo.
Já lho tinhamos apresentado, mesmo que dispense apresentações, recordemos em breves palavras que Mia Couto... Mia Couto nasceu na Cidade da Beira (Moçambique) em 1955. Publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique. Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo". Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos. Estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983). Depois, dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990). Em 1992 publicou o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos mais traduzidos: espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês são algumas línguas. Outros livros do autor: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996); "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); “Cronicando” (1998); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004). “Pensatempos” (2005); Idades, Cidades, Divindades (2007). Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008). Jesusalém [no Brasil, o livro tem como título Antes de nascer o mundo] (2009). E se Obama fosse africano e outras interinvenções (2011). Tradutor de Chuvas (2011). O seu último livro é “A Confissão da Leoa” publicado neste ano de 2012.

28ª Edição - Francisco Lopes da Silva - Chuva de Agosto


Hoje convidamos mais um claridoso: Francisco Lopes da Silva, ele que nasceu a 28 de Maio de 1932 em S. Vicente.Vamos ler um trecho do conto "Chuva de Agosto".

Licenciado em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, regressou a S. Vicente onde exerceu o cargo de professor por muitos anos. Foi Director da Escola Industrial e Comercial do Mindelo, Cônsul da França na Ilha de S. Vicente, Vereador de Cultura e Deputado da Assembleia Municipal de S. Vicente. Exerceu vários cargos na Função Pública, representou Cabo Verde no IV Colóquio sobre Educação organizado pela UNESCO em Berlim, foi galardoado com o 2.º prémio do concurso regional de contos promovido pela “Revista Cabo Verde”, teve colaboração dispersa por vários números de jornais e revistas nacionais e estrangeiras. A 22 de Janeiro de 1998 a Câmara Municipal de S. Vicente, por ocasião das festas do Município, homenageou-o em reconhecimento pela sua contribuição intelectual e intervenção cívica em prol do Município. Faleceu nesta cidade, a 17 de Julho de 2001.

27ª Edição - Manuel Lopes - Os Flagelados do Vento Leste


Hoje vamos ler um trecho de "Os Flagelados do Vento Leste" do escritor cabo-verdiano Manuel Lopes. Manuel Lopes nasceu em São Vicente, em 1907 e morreu em janeiro de 2005.


É um dos escritores cabo-verdianos mais conhecidos. A obra de Manuel Lopes estende-se pelo romance, conto e ensaio. É considerado por muitos como um dos fundadores da moderna literatura cabo-verdiana…, ele que com Baltasar Lopes da Silva e Jorge Barbosa, fundaram a revista Claridade, sem dúvida um marco na literatura cabo-verdiana. Como seus colegas claridosos, Manuel Lopes introduzia expressões em crioulo nas suas obras. Foi um dos responsáveis por dar a conhecer ao mundo as calamidades, as secas e as mortes em São Vicente e, sobretudo, em Santo Antão. É autor de Os Flagelos do Vento Leste, posteriormente adaptado ao cinema e que mereceu o prémio Meio Milénio do Achamento das Ilhas de Cabo Verde, em 1959. Chuva Braba é, no entanto, o seu primeiro romance, publicado em 1956, e que recebeu o Prémio Fernão Mendes Pinto. Outra obra sua premiada é O Galo Que Cantou na Baía, um livro de contos. A obra de Manuel Lopes estende-se pela poesia, ensaio, romance e conto, dedicando-se também à pintura.

26^Edição - António Aurélio Gonçalves - Biluca - Noite de Vento


António Aurélio Gonçalves, Nhô Roque, faz hoje as honras da casa. Propomos a leitura de um trecho da noveleta "Biluca" que faz parte da coletânea "Noites de Vento. O Grande compositor, poeta e cantor Jorge Humberto canta para nós a música: "Mindelo Berço" tirado do álbum "Ar de Nha Terra". Boa Escuta!!

25ª Edição - Machado de Assis - Confissões de Uma Viúva Moça


Hoje partilhamos consigo a leitura de um trecho do conto "Confissões de uma viúva Moça" de Machado de Assis. O conto conta a estória de uma mulher casada que se deixa seduzir por um outro Homem, chamado Emílio. No final da estória a senhora de nome Eugénia, fica na mão. Esta estória é revelada atrás de cartas que Eugénia escreve a uma sua amiga. Oferecemos-lhe esta música: Oceano de Djavan.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu a 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro, e faleceu na sua cidade natal a 29 de setembro de 1908. É amplamente considerado como o maior nome da literatura Brasileira. Escreveu em praticamente todos os géneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Oriundo de uma família pobre, Machado de Assis lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual. Chegou a assumir diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas. Fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras. Sua extensa obra constitui-se de 9 romances e peças teatrais, 200 contos, 5 coletâneas de poemas e sonetos, e mais de 600tas crónicas.

24ª Edição - Rubem Braga - A Moça Bonita


Bem vindo à mais uma sessão de leitura e boa música aqui no Seiva das Letras. Hoje vamos ler um pequeno conto do jornalista, cronista e escritor brasileiro Rubem Braga – A Moça Bonita. Falando de Bonita, de Beleza, ouçamos primeiro a musica, uma opera – Sta qui fuori bella italiana de Rossini. E depois a Caetano Veloso com "Você é Linda".

Rubem Braga nasceu no dia 12 de janeiro de 1913, no Estado de Espírito Santo, Brasil. Começa a escrever em 1928, já como cronista, no jornal Correio do Sul, fundado, em sua cidade natal, por seus irmãos Jerônimo e Armando. Cursado em Direito passa a escrever sobre a revolução constitucionalista para os Diários Associados. Seus artigos eram censurados e Rubem Braga acaba sendo preso, ainda aos 19 anos, sob a acusação de espionagem. Rubem Braga ia ainda trabalhar em vários jornais. O seu primeiro livro surge em 1936, intitulada O Conde e o Passarinho, reunindo crônicas selecionadas. O livro é recebido com entusiasmo, e marca o início de uma carreira singular na literatura brasileira. Rubem Braga exerceu outras funções mas acabaria sempre por voltar ao jornalismo. Entre 1961 e 1963, serve como Embaixador do Brasil em Marrocos. Terminou sua carreira como jornalista da TV Globo. Morreu no dia 19 de dezembro de 1990.

23ª Edição - Dina Salustio - A Louca de Serrano


Olá, bem vindo ao Seiva das Letras. Hoje vamos ler Dina Salústio. Mais concretamente um estrato do seu romance "A Louca de Serrano".

22ª Edição - Baltazar Lopes da Silva - Chiquinho


Hoje bebemos um cálice do néctar "Chiquinho" preparado magistralmente pelo doutor de letras Baltazar Lopes da Silva. Filólogo, poeta, ficcionista cabo-verdiano, Baltazar Lopes da Silva nasceu em 1907 na vila da Ribeira Brava, na ilha de São Nicolau. Iniciou no seminário da mesma localidade os estudos secundários que terminou em São Vicente. Licenciado em Direito e Filologia Românica com excelentes classificações pela Universidade de Lisboa.
Acompanha-nos nesta edição o artista Tcheca com a música Kriadu assim.

21ª Edição - Virgílio Ferreira - Mãe Genoveva


Hoje nosso convidado é um repetente aqui no Seiva das Letras. É o escritor português Vergílio Ferreira. Vamos ler um trecho do seu conto Mãe Genoveva. Para ouvir: Caetano Veloso e a música Moça.


Virgílio Ferreira. Romancista e ensaísta português, natural de Melo (Gouveia), nasceu em 1916 e morreu em 1996. Em 1992 recebeu o Prémio Camões. De entre a sua vasta obras estão, por exemplo "Vagão Jota" (1946), "Mudança" (1949), "Manhã Submersa" (1954) "Aparição" (1959), "Para Sempre" (1983), "Até ao Fim" (1997) e "Na tua Face" (1993).

quarta-feira, junho 05, 2013

20ª Edição - Cantárida - Oswaldo Osório


Olá, hoje nosso convidado de honra é Osvaldo Alcântara de Medina Custódio, ou simplesmente Oswaldo Osório.Ele que foi obrigado a adotar este pseudónimo, Oswaldo Osório porque Baltasar Lopes da Silva adoptou como um dos seus heterónimos o seu nome Osvaldo Alcântara. Hoje vamos então conhecer um pouco deste cavaleiro das letras cabo-verdianas e ler um trecho do seu belíssimo conto Cantárida.


Oswaldo Osório, de nome verdadeiro Osvaldo Alcântara Medina Custódio nasceu a 25 de Novembro de 1937, em Mindelo. Frequentou o Liceu Gil Eanes e o Seminário Nazareno de São Vicente. Distingue-se como poeta, contista, dramaturgo e ensaísta, sendo um dos fundadores da página de cultura do Notícias de Cabo Verde, a página Sèlo. Exerceu várias outras funções, entre as quais director do "Suplemento de Poesia dos Anos 80", Voz di Povo, chefe de secretaria da Rádio Barlavento onde escreveu vários programas culturais; foi também presidente da Comissão Organizadora dos sindicatos de cabo Verde União dos Sindicatos, foi ainda director editorial e presidente interino do Instituto Cabo-verdiano do Livro. É sócio-fundador da Associação de Escritores Cabo-verdianos de que foi primeiro secretário-geral. Da sua produção literária, salienta-se os poemas de luta “Caboverdeanamente Construção Meu Amor” (1975), “Cântico do habitante, Precedido de Duas Gestas” (1977), “Clar(a)idade Assombrada” de 1987; e outros livros de poema “Os loucos poemas de amor e outras estações inacabadas” editada em 1997; e também Poemas de Passagem do século e do milénio: ano 2000 publicada em 1999. No domínio da prosa, escreveu “Cantigas de Trabalho – Tradições Orais de Cabo Verde”em 1977, em 85 deu a estampa o ensaio “Emergência da Poesia em Amílcar Cabral; e Nimores e Clara & Amores de Rua” (romance). O seu mais recente livro, publicado já com 70 anos é o livro de poesia “A Sexagésima Sétima Curvatura”. Aqui aproveitamos para também fazermos uma menção honrosa a sua Mulher que escreve o que Oswaldo Osório vai ditando já que ele neste momento é completamente cego, aliás perdeu completamente a visão em 2004. Um problema de família já que seu pai, sua mãe, tios, primos... todos conheceram esta doença. “As Ilhas do Meio do Mundo” é título do próximo romance do escritor que poderá sair ainda este ano.

18ª Edição - O Ano em que Zumbi Tomou o Rio - Agualusa


Olá servimos-lhe mais um cálice de Seiva das Letras. Aqui misturamos a música das palavras com as palavras das músicas para produzirmos uma seiva, a Seiva das Letras. Poemas, prosa, música... o mundo das palavras, dos versos e do imaginário... Deixa-se embriagar.
Agualusa escritor angolano é nosso convidado de hoje. Vamos ler um trecho do romance «O Ano em que Zumbi Tomou o Rio». Sobre este livro podemos ler na contra capa o seguinte: “Os morros do Rio de Janeiro estão a arder. Aproxima-se o dia em que a guerra descerá sobre os bairros ricos da cidade. Um antigo coronel do Ministério da Segurança de Estado de Angola, que trocou o seu país pelo Brasil, fugindo às armadilhas de um amor feroz e ao tormento da memória, prepara esse dia. Um jornalista mergulha no incêndio dos morros cariocas em busca de respostas a perguntas que poucos se atrevem a colocar. Tudo isto acontece agora. Zumbi, o mítico herói do Quilombo de Palmares, voltou para tomar o Rio.” Antes da leitura, ouça a música brasileira Leãozinho de Caetano Veloso aqui numa bela interpretação da banda americana Beirute. O vocalista é Zachary Francis Condon.

José Eduardo Agualusa nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa. Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte idiomas. Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever «Nação crioula» que mereceu o grande prémio de literatura da RTP, a segunda bolsa em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa durante 3 meses e na sequência escreveu «Um estranho em Goa» e a terceira bolsa recebeu-o em 2001, concedida por uma instituição alemã, e graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu «O Ano em que Zumbi Tomou o Rio» o livro que selecionamos para aqui lermos um trecho. No início de 2009 a convite da Fundação Holandesa para a Literatura, passou dois meses em Amsterdam na Residência para Escritores, onde acabou de escrever o romance, «Barroco tropical». Agualusa, é ainda autor de várias outras obras de teatro de literatura infantil que lhe granjearam outros prémios. Já foi também vencedor do prémio Revelação Sonangol. José Eduardo Agualusa realiza para a RDP África "A hora das Cigarras", um programa de música e textos africanos. Escreve crónicas para a revista portuguesa LER. É membro da União dos Escritores Angolanos. Em 2006 lançou, juntamente com duas colegas a editora brasileira Língua Geral, dedicada exclusivamente a autores de língua portuguesa.

17ª Edição - A Ilha Fantástica - Germano Almeida


Olá,você foi apanhado pelas ondas mágicas da RCV, a n.º 1 FM, e está cativo de livre vontade nesta frequência com prazer de leitura. Hoje todo o prazer da leitura fica a cargo do escritor cabo-verdiano Germano Almeida, através da obra "A Ilha Fantástica". Nesta obra Germano Almeida recorre as suas memórias de Infância para contar-nos histórias emocionantes que tornavam a ilha realmente fantástica: Histórias verídicas de gente que viveu naquele tempo, histórias que relatam os costumes antigos por exemplo do casamento do funeral, mas também histórias que a imaginação fértil no tempo do obscurantismo povoava de gongonhanhas, canelinhas, bruxas, almas penadas, etc.


Germano Almeida, um dos nomes de proa da moderna literatura cabo-verdiana, nasceu na ilha da Boavista, em 1945. Licenciou-se em Direito pela Universidade Clássica. Vive na ilha de São Vicente, onde exerce actualmente a profissão de advogado, tendo já desempenhado funções como Procurador da República. O gosto pela escrita e pelo jornalismo tem acompanhado desde sempre a sua vida profissional. Para além da produção literária, tem sido responsável por projectos importantes da vida cultural cabo-verdiana como a fundação, com Rui Figueiredo e Leão Lopes, da revista Ponto & Virgula, do jornal Aguaviva, de que é co-proprietário e director, e da Ilhéu Editora. Colabora ainda no diário português Público. Germano Almeida é sem dúvida um dos mais prolíferos romancistas de Cabo Verde, com obras traduzidas em espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, holandês, basco e norueguês. Curiosamente é através do seu romance de estreia que é mais conhecido… o Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, editado em 1989. Um livro que foi parar ao grande ecrã. O filme foi galardoado com o 1º Prémio do Festival de Cinema Latino-Americano de Gramado, no Brasil; foi igualmente distinguido com os prémios para o melhor filme e melhor actor no 8º Festival Internacional Cinematográfico de Assunción, no Paraguai. Depois seguiram-se muitas obras: O meu poeta, editado em 1990, O dia O Dia das Calças Roladas (1992), A ilha Fantástica em 94 Os Dois Irmãos em 95, Estórias de Dentro de Casa em 1996, A Família Trago publicado em 1998, no mesmo ano deu a estampa A Morte do Meu Poeta, para no ano seguinte 99 seguirem-se mais dois livros: Estórias Contadas e Dona Pura e os Camaradas de Abril. Em 2001 foi a vez de As memórias de um Espírito. Cabo Verde viagem pelas ilhas foi editado em 2003, O Mar na Laginha em 2004, em 2006 apareceria Eva. O livro mais recente é a Morte do Ouvidor publicado em 2010. O escritor é conhecido por, na sua escrita, recorrer ao humor, a ironia e até ao sarcasmo para criticar a vida pública e privada da sociedade cabo-verdiana.

16ª Edição - Confesso que Vivi - Pablo Neruda


Olá, benvindo ao Seiva das Letras. Falamos para si deste mítico oceano atlântico na encruzilhada dos mundos, diretamente das ilhas hesperitanas, através da n.º1 FM, a Rádio Pública de Cabo Verde. Hoje todo o prazer da leitura fica a cargo do poeta chileno e Prémio Nobel de Literatura, Pablo Neruda. Vamos ler um trecho do seu livro de memórias intitulado “Confesso que vivi”, publicada postumamente.

"Confesso que vivi" é um livro autobiográfico, escrito ao longo de vários anos pelo autor chileno Pablo Neruda, e publicado postumamente no ano de 1974.Figurou em segundo lugar na lista dos dez mais vendidos na Espanha no ano de 1975.
Ao longo de 340 páginas, Neruda descreve o trajecto da sua vida, recorrendo a uma prosa salpicada de imagens poéticas que prende facilmente a atenção do leitor. A obra divide-se em diversos capítulos correspondentes a outras tantas fases da vida do poeta.
Vamos um ler trecho do primeiro Capítulo intitulado “O jovem provinciano”. O texto que escolhemos intitula-se amor entre o trigo.
Fique também com a boa música do costume. Proponho música flamenga com Camarón de la Isla, que infelismente morreu aos 42 anos deixando-nos todos órfãos da sua voz vibrante. Canta, então, ao vivo, Camarón de la Isla acompanhado pela excelência do dedilhar de Tomatito. A música chama-se Fandangos.


Pablo Neruda, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Poeta chileno, considerado um dos mais importantes literatos do século XX. Seu pseudônimo foi escolhido para homenagear o poeta tcheco Jan Neruda. Em seu livro de estréia, com apenas 20 anos, Crepusculário de 1923, já assinou como Pablo Neruda que, em 1946, passou a usar legalmente. A Sua obra é lírica, plena de emoção e marcada por um acentuado humanismo. A Sua fama tornou-se maior com a publicação de vinte poemas de amor e uma canção desesperada em 1924. Neruda alterava a sua vida literária com vasta carreira diplomática. Em 1970, renuncia à sua candidatura à presidência para favorecer Salvador Allende, que vence as eleições em 4 de setembro. Pablo Neruda era o embaixador chileno na França quando ocorreu o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende. De volta ao Chile, sofreu perseguições políticas e morreu pouco depois, sendo enterrado em sua casa de Isla Negra, ao sul do Chile. A obra completa de Pablo Neruda reúne mais de 40 livros, escritos entre 1923 e 1973. Destacam-se Residência na Terra (1933), España en el corazón (1937, inspirado na Guerra Civil Espanhola), Canto Geral (1950), Cem sonetos de amor (1959), Memorial de Isla Negra (1964), A espada incendiada (1970) e a autobiografia póstuma, Confesso que vivi (1974), um emocionante testemunho do tempo e das emoções de um grande poeta. Em 1971, Neruda recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e o Prêmio Lênin da Paz. Antes havia sido agraciado com o Prêmio Nacional de Literatura (mais exactamente em 1945). Morre em Santiago no Chile em 23 de setembro de 1973, de câncer na próstata.

terça-feira, junho 04, 2013

15ª Edição - O Eleito do Sol - Arménio Vieira


Olá, hoje trouxemos mais um prémio Camões. É ele o nosso patrício Arménio Vieira: O “Irreverente, indomável espadachim da sorte e da morte, poeta de vento sem tempo” – como já lhe chamou o poeta e presiente da república Jorge Carlos Fonseca. Hoje vamos aqui ler um trecho de “O Eleito do Sol”. Uma história que se passa no Egipto antigo no tempo de um tal faraó Amenófis e de um tal escriba que parece mais esperto que a própria encarnação do divino. Enfim uma obra que certamente lhe vai dar prazer de ler e vai proporcionar-lhe umas boas risadas.
Ouça também a música: Me ne quite pas – na voz de jacques Brel.


Poeta, dramaturgo, escritor, Arménio Adrolado Vieira e Silva, ou simplesmente Arménio Vieira, nasceu a 29 de janeiro de 1941, na cidade da Praia. Em Mindelo fez os estudos liceais e pertenceu ao grupo de estudantes do então Liceu gil Eanes, que criou a págila Seló – página dos novíssimos, suplemento cultural do jornal Notícias de Cabo Verde. Foi funcionário dos serviços de Meteorologia, jornalista do Voz di Povo e professor no Liceu “Domingos Ramos”, ex- “Adriano Moreira”. Arménio Vieira publicou Poemas em 1981; O Eleito do Sol (novela= em 1992; voltou a reeditar o seu livro de poemas em 98 incluindo poemas inéditos; e em 1999 deu a estampa o romance “No Inférno”adaptado ao Teatro com muito sucesso pelo grupo Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo. Os seus livros mais recentes são MITOgrafias de 2006 e a obra intitulada “O Poema a Viagem e o Sonho” de 2009. Em 2009, recorde-se recebeu o prémio maior da literatura portuguesa - Prémio Camões.

14ª Edição - Equadror - Miguel Sousa Tavares


Olá! Aconchegue-se, esteja confortável, faça mão de uma caneca de chocolate quente e aprecie mais um cálice de Seiva das Letras. Proposmos a leitura de um trecho de "Equador" o romance do português Miguel Sousa Tavares. Equador foi o fruto de uma longa maturação e investigação histórica que inspirou um romance fascinante vivido num período complexo da história portuguesa, no início do século XX e últimos anos da Monarquia. Equador é a história de um homem, Luís Bernardo, que é nomeado para o cargo de Governador Geral de São Tomé e Princípe. Luís Bernardo é um jovem empresário lisboeta, no início do século XX. Dotado de visão estratégica, facilmente se apercebe que as potências estrangeiras tentam, sob a capa de um “humanismo hipócrita”, eliminar a concorrência dos produtores portugueses de cacau, alegando o uso ilegal do trabalho escravo e incentivando o boicote à compra do cacau de São Tomé. Mas a realidade não é diferente da dos outros países colonizadores. Luís Bernardo escreve um artigo denunciando a situação e é convidado pelo próprio Rei D. Carlos a ocupar o lugar de governador das ilhas de S. Tomé e Príncipe durante três anos, sendo-lhe atribuída a missão de averiguar se há ou não trabalho escravo na referida colônia e convencer o cônsul inglês de que o trabalho escravo em Portugal já faz parte do passado. Facilmente se conclui que Luís Bernardo terá que enfrentar alguns dos mais importantes produtores de cacau portugueses, não sendo certo que, dada a instabilidade política que existia na época, tenha um apoio total de Lisboa na execução dessa tarefa. No plano pessoal, esta missão representa, para Luís Bernardo, o fim de uma vida mundana na capital do Império e o princípio de um longo exílio numa ilha distante de todas as partes do mundo. Será aqui que, para ele, o amor se revela. Mas, como em todas as coisas na vida, também o amor nem sempre é certo. Um dos pontos mais fortes desta obra é, precisamente, o percurso individual (no sentido interior) do personagem central, Luís Bernardo. Luis Bernando apaixona-se por Ann a inglesa esposa do cônsulo britanico David. No final Luis Bernando acaba por suicidar-se com um tiro no peito. Na carta que escreve ao Rei Don Carlos explica que não conseguiu o objectivo da sua missão que era convencer os proprietários de deixar a exploração escravocrata das roças de café. Mas os comentários que correm é que se matou por causa do amor por Ann. Neste programa pode ainda ouvir uma Ária chamada "Era la Notte" da Opera Otelo escrita por giuseppe Verdi. Miguel de Sousa Tavares nasceu no Porto, sendo filho da poetisa Sophia deMello Breyner e do advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares. Depoisde se ter licenciado em Direito, exerceu advocacia durante doze anos, masabdicou definitivamente desta profissão para se dedicar em exclusivo aojornalismo, de onde passa para a escrita literária. Tem uma obra diversificada, essencialmente marcada por crónicas ereportagens, mas fez já outras digressões literárias, nomeadamente com apublicação de um livro infantil, de vários contos e do romance Equador, umbest-seller em Portugal durante 2004 e 2005. Em 2007 publicou o seu segundoromance, Rio das Flores, numa tiragem de 100 mil exemplares. Colabora actualmente com o jornal Expresso, com a estação de televisão TVI,onde é comentador. Contribui, também, semanalmente, para o jornal A Bolaonde escreve uma coluna com o nome “Nortada”.

13ª Edição - O Cão e os Caluandas - Pepetela


Ora viva, bem vindo ao Seiva das Letras. Começamos o novo ano com Pepetela. Escritor angolano que já mereceu o prémio Camões. Vamos então conferir uma das histórias de "O Cão e os Caluandas" que lança um olhar sobre a realidade do pós-independência de Angola. A obra é construída como um "puzzle" de narrativas, situações e estilos que reconstroem as andanças do cão pastor-alemão, pela cidade de Luanda e entre seus habitantes. O "autor" da novela, outro personagem de Pepetela, reúne sob diversas formas narrativas testemunhos de pessoas que tiveram contato com o cão. A história que vamos ler é a que abre este livro e chama-se Tico o poeta.

Um dos maiores nomes da literatura angolana, Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, mais conhecido como Pepetela, nasceu no dia 29 de outubro de 1941 em Benguela,Angola. Depois e concluir os estudos primários em Angola muda-se para Lisboa. Na capital portuguesa ele também integrou a Casa dos Estudantes do Império, iniciando desta forma sua trajetória política e literária. Entre outras atividades, ele se torna um dos criadores do Centro de Estudos Angolanos, o qual integra enquanto representante do MPLA. Em 1960 o futuro escritor entrou na Faculdade de Engenharia, mas logo em seguida optou por Letras, para depois de um ano decidir-se pela carreira política, ingressando, em 1963, no MPLA – Movimento Popular para a Libertação de Angola. Durante algum tempo Pepetela é obrigado a buscar abrigo na França e na Argélia. Mas após a tão desejada libertação de Angola, o romancista retorna, em 1975, para seu país, assumindo o cargo de Vice-Ministro da Educação, sob a liderança do Presidente Agostinho Neto. Ele acaba tirando Licenciatura em Sociologia na Universidade de Argel, o que lhe permite, após a deserção do caminho político, optar pela docência na Faculdade de Arquitetura de Luanda. A partir de então ele passa a ministrar aulas e, ao mesmo tempo, a desenvolver sua carreira literária, a qual somente ganha impulso depois da Independência. Boa parte de sua obra só foi lançada depois de seu retorno do exílio. Entre seus livros mais importantes estão Muana puó (1978), As aventuras de Ngunga (1979), Mayombe (1980), A geração da utopia (1992), Parábola do cágado velho (1996), A gloriosa família (1997). O conteúdo destes livros gira especialmente em torno da história de seu país, tanto a mais distante, quanto a recente trajetória social e política. Pepetela atinge o auge de sua carreira literária em 1997, quando conquista o Prémio Camões, o prémio literário mais desejado pelos escritores da língua portuguesa. Antes disso, porém, já recebera o Prémio Nacional de Literatura de Angola pela obra Mayombe. Do conjunto da sua obra constam ainda A Revolta da Casa dos Ídolos - Peça teatral escrita em 1978 e publicada em 1979. O Cão e os Caluandas - Romance escrito entre 1978 e 1982 e publicado em 1985. È a proposta de leitura que trouxemos hoje. Pepetela é autor também de Yaka publicado em 1984, Lueji, o Nascimento de um Império - publicado em 1989. Luandando - Crónicas sobre a cidade de Luanda escritas e publicadas em 1990. A Geração da Utopia - Romance publicado em 1994. O Desejo de Kianda - de 1995. A Montanha da Água Lilás, foi dado a estampa em 2000. Jaime Bunda, o agente secreto - Romance publicado em 2002. E o seu mais recente livro data de 2011 e intitula-se «A Sul. O Sombreiro».

sexta-feira, maio 31, 2013

12ª Edição - Um Momento Inesquecível - Nicholas Sparks


Olá, cá estamos com mais um cálice de Seiva das Letras. Hoje todo o prazer da leitura é da responsabilidade do Best Seller norte americano Nicholas Sparks.... vamos ler alguns trechos de um dos seus Romances adaptado ao cinema “A Walk To Remember”, "Um momento inesquecível", na tradução portuguesa. O personagem principal chama-se Landon Carter e recorda a sua adolescência passada em Beaufort, uma cidadezinha da Carolina do Norte. No liceu em que ele andava havia uma jovem chamada Jamie Sulivan que todos troçavam devido a sua maneira. Ela era filha de um reverendo da igreja Baptista da cidade, era muito religiosa andava sempre com a sua bíblia, que lia nos recreios, andava a salvar animais feridos na estrada e a ajudar a todos incluindo um orfanato. Vestia-se de forma antiquada não se preocupava com a sua beleza. Era portanto uma rapariga que nenhum dos rapazes daquela cidade pensava em namorar. Landon então jamais pensaria namorar Jamie Sulivan. Mas o inesperado aconteceu. Landon viu-se obrigado a convidar Jamie para o baile da escola, já que estava sem par e Jamei era a sua única solução já que ela nunca o iria dizer que não por ser tão bondosa. A partir daí tudo mudou na vida de Landon que veio a descobrir um profundo amor por Jamei, que afinal não era nada antiquada e até era linda e divertida. Mas quando já estava caidíssimo de amor por jamei veio a descobrir que ela estava a morrer de leucemia. Landon ficou sem chão. Enfim uma estória para rir e chorar. A leitura que vamos fazer aqui não consegue transmitir toda a beleza desta estória que nos toma o fôlego. Mas vamos tentar agudizar o apetite do ouvinte para uma leitura posterior se é que ainda não leu o livro. Ouça então o programa a integra, que é emitido na RCV. Mas antes dizer que vai poder ouvir uma das trilhas sonoras do filme adaptado deste romance que vamos ler. A música chama-se only hope, na voz de Mandy Moore.

Nicholas Sparks nasceu em Nebrasca, Estados Unidos. No dia 31 de Dezembro faz 46 anos. Viveu uma infancia nómada acompanhado do pai. Conseguiu uma bolsa de estudos para atletas na Univerdiade de Notre Dame onde formou-se em Buisness Finances. Depois de contrair uma lesão no tendão de aquiles ficou profundamente angustiado. Ao visitar os pais durante as férias daquele ano, enquanto colocava gelo em sua contusão e reclamava da vida, sua mãe, irritada coma atitude pessimista do filho, exclamou: Porque não fazes alguma coisa. Sparks manquejando perguntou: o quê? Sua mãe respondeu-lhe: sei lá... escreva um livro. Sparks disse ok. Encarou aquilo como um desafio e, oito semanas mais tarde, era o orgulhoso criador de seu primeiro romance, The Passinh, jamais publicado. E assim nasceu o escritor Nicolas Sparks, um verdadeiro best seller nos EUA e em todos os países onde é traduzido. Mas antes de ser famoso ainda viu o seu segundo livro “The Royal Murders”, negado pelas editoras. Recusado pelas editoras e pela faculdade de direito, começou a empreender uma série de trabalhos temporários na busca de algo que cativasse sua atenção. Foi corretor de imóveis, garçon e operador de telemarketing. Actualmente. Com livros piblicados em diversos países e milhões de cópias vendidas, é um autor de sucesso. E dis brincando que é “bem melhor do que ser representante de produtos farmaceuticos”, outro trabalho que teve. Nicholas Sparks conta já com mais de uma década a deslumbrar os leitores com narrativas que exploram os profundos mistérios do coração e que o estabeleceram como um dos escritores mais acarinhados em todo o mundo. Os seus bestsellers têm vindo a inspirar adaptações cinematográficas que se tornam sucessos incontestáveis também no grande ecrã. Exemplo de livros seus que foram parar ao grande ecran são: The Notebook, Message in a bottle, Nights in Rodanthe, Dear John, The Last Song, e em 2012 vai estrear o filme adaptado do seu romance The Lucky One, e é claro ainda foi parar ao cinema o livro que temos entre mãos “A Walk to Remember”, um Momento Inesquecível na tradução portuguesa. O seu romance mais recente data deste ano de 2011 e Chama-se “The Best Of Me” ou se quiser “Dei-te o melhor de mim”, na tradução portuguesa.

domingo, janeiro 15, 2012

11ª Edição Seiva da Letras - Dostoievsky - A Árvore na Casa de Cristo

Benvindo ao Seiva das Letras – todo o prazer da leitura.
Estamos em época natalícia, esperamos pois que a harmonia do presépio reina no seio da sua família, em sua casa ou onde quer que esteja.
Aos que nos escutam nos hospitais que o espirito de natal traga melhoras à vossa saúde. E esperança àqueles que estão nas prisões... que saiam de espírito renovado para saociedade e encontrem a paz e a vontade de viver na harmonia e no bem

Paz e amor à todas as almas do Terra.
Pois é, é tempo de Natal e Seiva das Letras não podia deixar de trazer no programa de hoje um Conto de Natal para lermos.
Hoje, todo oprazer da leitura fica a cargo de DOSTOIÉVSKI através do conto “A Árvore de Natal na casa de Cristo”.

Fiódor Mijailovich Dostoievski, é um escritor Russo. Nesceu em Moscovo em 11 de novembro de 1821. A atmosfera familiar da infância de Dostoyevski é marcada por um pai autoritário, médico numhospital para pobres em Moscovo; e por uma mãe considerada pelos filhos como um refúgio e uma proteção do amor. A morte prematura da mãe pela tuberculose em 1831, agrava no pai a depressão e o alcoolismo, o que faz com que Fiódor e seu irmão de Mijaíl, sejam enviados à escola de engenheiros de St Petersburg. É aí que o jovem Fiódor começa a se interessar pela Literatura.
Aos dezoito anos, a notícia da morte de seu pai, torturado e assassinado por um grupo de fazendeiros, esteve quase de fazê-lo perder a razão. Esse acontecimiento marcou-o como uma revelação, já que sentiu esse crime como seu, por te-lo dito inconscientemente.
Tinha 20 anos quando terminou seus estudos. Decidiu então permanecer em San Petersburgo, onde ganhou algum dinheiro fazendo traduções.
A publicação, em 1846, da sua novela epistolar "Pobres gentes", valeu-lhe uma fama ruidosa e efémera, já que suas ob ras seguintes, escritas entre esse ano e 1849, não tiveram nenhuma repercussão, de modo que caiu no esquecimento total.
Em 1849 foi condenado à mortedevido a sua colaboração determinados grupos liberaise revolucionários. Indultado momentos antes da hora fixada para sua execução, esteve quatro anos numa prisão em Sibéria, experiência que relataría mais tarde em Recordações da Casa dos Mórtos.
Já em libertade, foi incorporado num regimiento de atiradores siberianos e contrai matrimónio com uma viúva com pouco recursos, Maria Dmítrievna Isáieva.
Após longo tempo em Tver, recibeu autorização para regressar à San Petersburgo, onde não encontrou nenhum dos seus antigos amigos, nem eco algum da sua fama. A publicação de Recordação da Casa dos Mórtos em 1861 devolveu-lhe a celebridade. Para a escrita da sua obra seguinte, "Memórias do subsolo" (1864), também se inspirou na sua experiência siberiana. Soportou a morte da sua mulher e seu irmão como uma fatalidade inevitável.
Em 1866 publicou "O jogador", e a primeira obra da série de grandes novelas que o consagraram definitivamente como um dos maiores génios da sua época, "Crime e castigo".
A pressão de seu credores levou-o a abandonar a Russia e a viajar indefinidamente pela Europa junto com a sua nova e jovem esposa, Ana Grigorievna. Durante uma das suas viagens sua esposa deu a luz a uma menina que morriria poucos dias despois, o que mergulhou o escritor numa profunda dor.
A partir desse momento sucumbioa tentação do jogo e sofreu frequentes ataques epilépticos. Após o mascimento do seu segundo filho, estableceu um elevado ritmo de trabalho que o permitiu publicar obras como “O idiota (1868) ou "Os endemoniados" (1870), que o proporcionaram uma grande fama e a possibilidade de voltar a seu país, em que foi recebido com entusiasmo. É neste contexto que escreveu "Diário de um escritor", obra em que se erige como guia espiritual da Rusia e reivindica um nacionalismo ruso articulado em torno da fé ortodoxa e oposto ao decadentismo da Europa occidental.
Em 1880 apareceu a que a próprio escritor considerou sua obra prima, "Osirmãos Karamazov", que condensa os temas mais característicos da sua literatura: agudas análises psicológicas, a relação do homem com Deus, a angustia moral do homem moderno e as aporías da libertade humana.
No mesmo ano participa na inauguração do monumento à leksander Pushkin em Moscovo, onde pronunciará um memorável discurso sobre o destino da Russia no mundo. Em 8 de Novembro desse mesmo ano, termina os irmãos Karamazov em San Petersburgo. Morre 9 de Fevereiro de 1881.

Aprecie então o Seiva das Letra... Lá fora cintilam as iluminárias de Natal, as montras brilham com presentes, e o friozinho da rua enche-nos de vontade de chegarmos a casa e sentarmo-nos com a família à volta do presépio e da árvore de Natal.Pois bem acomoda-se, põe o volume do seu rádio num tom certo e aprecie a leitura deste conto de Natal.

A música que hoje nos acompanha nõ podia deixar de ser... "Hoje é Natal" Letra, música e voz do Saudoso Manuel de Novas.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

10ª Edição - Hamina Faz Hara Quiri nos Tempos da Rua Araújo - José Craveirinha

Olá! Hoje vamos ler mais um prémio Camões. O Moçambicano José Craveirinha é o nosso convidado.

Não se esqueça que pode acompanhar o programa em direto todas as Quartas-feiras às 19H30 na RCV.

O Escritor moçambicano, José Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, em Lourenço Marques (actual Maputo), e faleceu a 6 de Fevereiro de 2003, na África do Sul.

Mestiço, é filho de pai branco português, algarvio, e mãe negra moçambicana, ronga.

Autodidacta, José Craveirinha abraça o jornalismo como profissão, tendo se iniciado n’O Brado Africano, um dos primeiros jornais moçambicanos dirigidos por negros e mestiços assimilados e com uma linha editorial nativista. Além d’O Brado Africano, Craveirinha também trabalhou nos diários Notícias e Tribuna, ao mesmo tempo que mantinha colaboração em forma de crónica e ensaio nos jornais Notícias da Tarde, Voz de Moçambique, Notícias da Beira, Diário de Moçambique e Voz Africana.

A partir dos anos 50, passa a desempenhar um papel de relevo na vida da Associação Africana, agremiação de carácter nativista inicialmente designada Grémio Africano, tendo chegado a ser Presidente da sua Direcção.

Nos anos 60 faria parte do Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique, do Centro Associativo dos Negros da Colónia, organismo onde se reuniam os jovens nacionalistas que mais tarde se tornariam no motor do processo que levou à independência de Moçambique. Dada a sua ligação à actividades políticas e, particularmente, à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), José Craveirinha é preso pela polícia política portuguesa, a PIDE/DGS, tendo permanecido encarcerado de 1965 a 1969.

José Craveirinha consta de praticamente todas as antologias dedicadas a poetas africanos de língua portuguesa ou a poetas moçambicanos.
Começou a escrever cedo, mas a sua poesia demorou a ser publicada. Em Lisboa, a primeira obra a surgir foi Xigubo, em 1964, através da Casa dos Estudantes do Império. A partir de determinada altura, a consciência política do autor passou a reflectir-se em obras como O Grito e O Tambor.
O livro de contos que temos entre mãos: Hamina e outros contos foi dada a estampa em 1997.

Galardoado várias vezes, o prémio maior da literatura de língua portuguesa, o Prémio Camões, Foi-lhe atribuído em 1991. Ainda recebeu condecorações dos presidentes de Portugal e de Moçambique, Jorge Sampaio e Joaquim Chissano respectivamente.

Músicas Pra ouvir: a Diva Cesária Évora – Negue. Luis Amstrong com a faixa - What a Wonderful World