Domingo, Janeiro 15, 2012

11ª Edição Seiva da Letras - Dostoievsky - A Árvore na Casa de Cristo

Benvindo ao Seiva das Letras – todo o prazer da leitura.
Estamos em época natalícia, esperamos pois que a harmonia do presépio reina no seio da sua família, em sua casa ou onde quer que esteja.
Aos que nos escutam nos hospitais que o espirito de natal traga melhoras à vossa saúde. E esperança àqueles que estão nas prisões... que saiam de espírito renovado para saociedade e encontrem a paz e a vontade de viver na harmonia e no bem

Paz e amor à todas as almas do Terra.
Pois é, é tempo de Natal e Seiva das Letras não podia deixar de trazer no programa de hoje um Conto de Natal para lermos.
Hoje, todo oprazer da leitura fica a cargo de DOSTOIÉVSKI através do conto “A Árvore de Natal na casa de Cristo”.

Fiódor Mijailovich Dostoievski, é um escritor Russo. Nesceu em Moscovo em 11 de novembro de 1821. A atmosfera familiar da infância de Dostoyevski é marcada por um pai autoritário, médico numhospital para pobres em Moscovo; e por uma mãe considerada pelos filhos como um refúgio e uma proteção do amor. A morte prematura da mãe pela tuberculose em 1831, agrava no pai a depressão e o alcoolismo, o que faz com que Fiódor e seu irmão de Mijaíl, sejam enviados à escola de engenheiros de St Petersburg. É aí que o jovem Fiódor começa a se interessar pela Literatura.
Aos dezoito anos, a notícia da morte de seu pai, torturado e assassinado por um grupo de fazendeiros, esteve quase de fazê-lo perder a razão. Esse acontecimiento marcou-o como uma revelação, já que sentiu esse crime como seu, por te-lo dito inconscientemente.
Tinha 20 anos quando terminou seus estudos. Decidiu então permanecer em San Petersburgo, onde ganhou algum dinheiro fazendo traduções.
A publicação, em 1846, da sua novela epistolar "Pobres gentes", valeu-lhe uma fama ruidosa e efémera, já que suas ob ras seguintes, escritas entre esse ano e 1849, não tiveram nenhuma repercussão, de modo que caiu no esquecimento total.
Em 1849 foi condenado à mortedevido a sua colaboração determinados grupos liberaise revolucionários. Indultado momentos antes da hora fixada para sua execução, esteve quatro anos numa prisão em Sibéria, experiência que relataría mais tarde em Recordações da Casa dos Mórtos.
Já em libertade, foi incorporado num regimiento de atiradores siberianos e contrai matrimónio com uma viúva com pouco recursos, Maria Dmítrievna Isáieva.
Após longo tempo em Tver, recibeu autorização para regressar à San Petersburgo, onde não encontrou nenhum dos seus antigos amigos, nem eco algum da sua fama. A publicação de Recordação da Casa dos Mórtos em 1861 devolveu-lhe a celebridade. Para a escrita da sua obra seguinte, "Memórias do subsolo" (1864), também se inspirou na sua experiência siberiana. Soportou a morte da sua mulher e seu irmão como uma fatalidade inevitável.
Em 1866 publicou "O jogador", e a primeira obra da série de grandes novelas que o consagraram definitivamente como um dos maiores génios da sua época, "Crime e castigo".
A pressão de seu credores levou-o a abandonar a Russia e a viajar indefinidamente pela Europa junto com a sua nova e jovem esposa, Ana Grigorievna. Durante uma das suas viagens sua esposa deu a luz a uma menina que morriria poucos dias despois, o que mergulhou o escritor numa profunda dor.
A partir desse momento sucumbioa tentação do jogo e sofreu frequentes ataques epilépticos. Após o mascimento do seu segundo filho, estableceu um elevado ritmo de trabalho que o permitiu publicar obras como “O idiota (1868) ou "Os endemoniados" (1870), que o proporcionaram uma grande fama e a possibilidade de voltar a seu país, em que foi recebido com entusiasmo. É neste contexto que escreveu "Diário de um escritor", obra em que se erige como guia espiritual da Rusia e reivindica um nacionalismo ruso articulado em torno da fé ortodoxa e oposto ao decadentismo da Europa occidental.
Em 1880 apareceu a que a próprio escritor considerou sua obra prima, "Osirmãos Karamazov", que condensa os temas mais característicos da sua literatura: agudas análises psicológicas, a relação do homem com Deus, a angustia moral do homem moderno e as aporías da libertade humana.
No mesmo ano participa na inauguração do monumento à leksander Pushkin em Moscovo, onde pronunciará um memorável discurso sobre o destino da Russia no mundo. Em 8 de Novembro desse mesmo ano, termina os irmãos Karamazov em San Petersburgo. Morre 9 de Fevereiro de 1881.

Aprecie então o Seiva das Letra... Lá fora cintilam as iluminárias de Natal, as montras brilham com presentes, e o friozinho da rua enche-nos de vontade de chegarmos a casa e sentarmo-nos com a família à volta do presépio e da árvore de Natal.Pois bem acomoda-se, põe o volume do seu rádio num tom certo e aprecie a leitura deste conto de Natal.

A música que hoje nos acompanha nõ podia deixar de ser... "Hoje é Natal" Letra, música e voz do Saudoso Manuel de Novas.

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

10ª Edição - Hamina Faz Hara Quiri nos Tempos da Rua Araújo - José Craveirinha

Olá! Hoje vamos ler mais um prémio Camões. O Moçambicano José Craveirinha é o nosso convidado.

Não se esqueça que pode acompanhar o program em direto todas as Quartas-feiras às 19H30 na RCV.

O Escritor moçambicano, José Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, em Lourenço Marques (actual Maputo), e faleceu a 6 de Fevereiro de 2003, na África do Sul.

Mestiço, é filho de pai branco português, algarvio, e mãe negra moçambicana, ronga.

Autodidacta, José Craveirinha abraça o jornalismo como profissão, tendo se iniciado n’O Brado Africano, um dos primeiros jornais moçambicanos dirigidos por negros e mestiços assimilados e com uma linha editorial nativista. Além d’O Brado Africano, Craveirinha também trabalhou nos diários Notícias e Tribuna, ao mesmo tempo que mantinha colaboração em forma de crónica e ensaio nos jornais Notícias da Tarde, Voz de Moçambique, Notícias da Beira, Diário de Moçambique e Voz Africana.

A partir dos anos 50, passa a desempenhar um papel de relevo na vida da Associação Africana, agremiação de carácter nativista inicialmente designada Grémio Africano, tendo chegado a ser Presidente da sua Direcção.

Nos anos 60 faria parte do Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique, do Centro Associativo dos Negros da Colónia, organismo onde se reuniam os jovens nacionalistas que mais tarde se tornariam no motor do processo que levou à independência de Moçambique. Dada a sua ligação à actividades políticas e, particularmente, à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), José Craveirinha é preso pela polícia política portuguesa, a PIDE/DGS, tendo permanecido encarcerado de 1965 a 1969.

José Craveirinha consta de praticamente todas as antologias dedicadas a poetas africanos de língua portuguesa ou a poetas moçambicanos.
Começou a escrever cedo, mas a sua poesia demorou a ser publicada. Em Lisboa, a primeira obra a surgir foi Xigubo, em 1964, através da Casa dos Estudantes do Império. A partir de determinada altura, a consciência política do autor passou a reflectir-se em obras como O Grito e O Tambor.
O livro de contos que temos entre mãos: Hamina e outros contos foi dada a estampa em 1997.

Galardoado várias vezes, o prémio maior da literatura de língua portuguesa, o Prémio Camões, Foi-lhe atribuído em 1991. Ainda recebeu condecorações dos presidentes de Portugal e de Moçambique, Jorge Sampaio e Joaquim Chissano respectivamente.

Músicas Pra ouvir: a Diva Cesária Évora – Negue. Luis Amstrong com a faixa - What a Wonderful World

9ª Edição Cinco Minutos - de José de Alencar

Olá! Hoje todo o prazer da leitura fica a cargo do escritor Brasileiro do século XIX José de Alencar. Trouxemos para ler o livro – 5 minutos, o seu primeiro romance.

José de Alencar, advogado, jornalista, político, orador, romancista e Dramaturgo, nasceu em Mecejana, Brasil, em 1 de maio de 1829, e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1877.

Em 1850 conclui o curso de Direito em São Paulo e começa a advogar no Rio de Janeiro e passa a colaborar no Correio Mercantil. Redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro em 1855. Filiado ao Partido Conservador, foi eleito várias vezes deputado geral pelo Ceará. De 1868 a 1870, foi ministro da Justiça. Não conseguiu realizar a ambição de ser senador, devendo contentar-se com o título do Conselho. Desgostoso com a política, passou a dedicar-se exclusivamente à literatura.

Ainda em 1856, publicou o seu primeiro romance: Cinco minutos. Em 1857, revelou-se um escritor mais maduro com a publicação, em folhetins, de O Guarani, que lhe granjeou grande popularidade. Daí para frente escreveu romances indianistas, urbanos, regionais, históricos, romances-poemas de natureza lendária, obras teatrais, poesias, crônicas, ensaios e polêmicas literárias, escritos políticos e estudos filológicos.

Sua imensa obra causa admiração não só pela qualidade, como pelo volume, se considerarmos o pouco tempo que José de Alencar pôde dedicar-lhe numa vida curta. Faleceu no Rio de Janeiro, de tuberculose, aos 48 anos.
Obras: I Romances urbanos: Cinco minutos (1857); A viuvinha (1860); Lucíola (1862); Diva (1864); A pata da gazela (1870); Sonhos d’ouro (1872); Senhora (1875); Encarnação (1893, póstumo). II Romances históricos e/ou indianistas: O Guarani (1857); Iracema (1865); As minas de prata (1865); Alfarrábios (1873); Ubirajara (1874); Guerra dos mascates (1873). III Romances regionalistas: O gaúcho (1870); O tronco do ipê (1871); Til (1872); O sertanejo (1875).

A Música que nos acompanha é a referenciada no texto que lemos: Non ti Scodar di me.

O Programa vai para o ar todas as Quartas-feiras às 18H30 na RCV, com repetição aos Domingos a mesma hora.

8ª Edição - Poesias - de Januário Leite

Ora Viva! Estamos em tempo de apresentar mais um número de Seiva das Letras – todo o prazer da leitura. Aqui se cruzam as letras das músicas e a música das letras numa simbiose perfeito entre a literatura e a música.

Hoje trouxemos o lirismo de António Januário Leite, o poeta mavioso como já lhe chamaram. Temos entre mãos o Livro Poesias editado em 2006, talvez o mais completo da obra do Januário Leite.

O livro "Poesias" é uma edição conjunta da AMIPAUL (Liga dos Amigos do Paul – Santo Antão) e do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro de Cabo Verde, dada à estampa em 2006. Com apresentação de Rosendo Pires Ferreira (AMIPAUL) e organização e prefácio do docente universitário, investigador e poeta Arnaldo França, este livro vem fixar textos de que havia diversas versões, nomeadamente nos dois volumes do «Almanach Luso-Africano» (1895 e 99), no «Novo Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro» (publicado de 1851 a 1932), nas antologias «Poesias» (ed. da Associação Académica do Mindelo, 1952) e «Versos da Juventude» (ed. Paul, Queluz), e em outros textos e manuscritos.

Com esta obra António Januário Leite tem finalmente agora o tratamento condigno, com correçãos da sua data de nascimento e textos de alguns dos seus peomas.
António Januário Leite...

Em 1987 a Escola Secundária de Paul (Santo Antão) recebeu o seu nome, bem como um retrato pintado por Leonel Madeira e um busto em bronze, de Kiki Lima. 1995, o presidente António Mascarenhas Monteiro condecorou-o com a medalha de 2.ª classe da Ordem do Vulcão.

As música que nos acompanham: "nha coraçon" de Betu e "Je ne regrette rien" na voz de Cassia Eller.

7ª Edição - A Casa e o Mundo de Tagore



OLá! Cá estamos para mais uma sessão de leitura!

Hoje trazemos mais um clássico da literatura: a Casa e o Mundo de Rabindranath Tagore, o mais prestigiado escritor índio do século XX.

Rabindranath Tagore poeta, filósofo, músico, educator e patriotista. Nasceu em1861em Calcutá e morreu aos 80 anos em 1941. Nasceu numa família abastada e teve uma educação tradicional. Estudou direito na Inglaterra entre 1878 e 1880. Retornou à Índia e passou a administrar as propriedades rurais da família.

Cedo manifestou sua vocação poética. Seus primeiros versos foram reunidos nos livros "Canções da Noite" e "Canções da manhã". Escrevendo em língua bengali, Tagore experimentou depois quase todos os géneros literários. Publicou poemas, contos, romances e ensaios. Seus versos têm um tom de cativante humanidade e atraem pela mensagem universal.

Em 1901, Tagore fundou uma escola de filosofia em Santiniketan. Escreveu poemas místicos entre 1902 e 1907, tocado pela morte da esposa e de dois de seus filhos. Alguns desses poemas estão coligidos em sua obra mais conhecida, "Oferenda Lírica", publicada em 1910. A repercussão internacional dessa obra lhe valeu a indicação para o Prémio Nobel de Literatura, que recebeu em 1913. Dois anos depois, recebeu o título de cavaleiro britânico.

Rabindranath Tagore tornou-se um escritor de prestígio e passou a receber convites para palestras e encontros em diversos países. Em 1919, renunciou ao título de Sir, em protesto à política inglesa em relação à Índia.
Rabindranath Tagore faleceu em Bengala, aos 80 anos.

A História de "A Casa e o Mundo" passa em Bengala Ocidental, início do séc. XX: Bimala, uma das personagens principais, relembra os eventos que moldaram sua visão de mundo. Anos atrás, seu marido Nikhil, um moderno e rico latifundiário, desafiou a tradição ao dar-lhe educação e ao convidá-la para sair da reclusão na qual as mulheres casadas eram mantidas na época, para o espanto dos outros parentes. Ao conhecer Sandip, colega revolucionário do marido, ela se envolve nesta causa política apesar dos avisos de Nikhil. Conforme a história se desenvolve, a relação entre Bimala e Sandip vai além do platonismo e as batalhas políticas, colocando ricos contra pobres e hindus contra muçulmanos, revelam-se mais complexas do que todos imaginavam.

Músicas que nos acompanham: Think of me, mais uma música da opera The Phantom of the Opera – com Rebeca Cain

6ª Edição - Vidas Paralelas de Mário Lúcio Sousa

Olá!Deixa-se ficar e não se arrependa. Nós prometemos levar até sí todo o prazer da leitura e é claro a boa música de sempre.

O programa vai para o ar às 19H30 na RCV todas as Quartas-feiras com repetição aos Domingos a mesma hora.

E hoje o nosso convidado é nada mais nada menos que o ministro da Cultura Mário Lúcio Sousa, através da sua obra Vidas Pararelas.

Uma auto-biografia de Mário Lúcio Sousa, o nosso ministro de cultura.

Lúcio Matias de Sousa Mendes, de seu nome próprio, nasceu no Tarrafal, Ilha de Santiago, em 21 de Outubro de 1964. É Licenciado em Direito pela Universidade de Havana, Cuba. Já foi nacional 1996 e 2001. Foi Condecorado pela presidencia da república em 2006 com a Ordem do Vulcão.

Na música, foi fundador e líder do grupo musical Simentera, antes de se enveredar por uma carreira a solo. Compositor, multi-instrumentista e arranjador de vários álbuns de artistas cabo-verdianos, e um estudioso da música tradicional. Já gravou com vários músicos de renome internacional.

Mário Lúcio Sousa estreou-se no Mundo da Literatura em 1990 com a obra poética Nascimento de Um Mundo (poesia, 1990); os dois seguintes livros iam ser também de poesia Sob os Signos da Luz de 1992, e Para Nunca Mais Falarmos de Amor de 1999. O primeiro livro de prosa viria em 2000 com Os Trinta Dias do Homem mais Pobre do Mundo que ganhou a 1ª edição do prémio do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa. Vidas Paralelas foi publicado em 2003. MLS que é também dramaturgo publicaria Adão e As Sete Pretas de Fuligem em 2001. Depois seguiria Saloon em 2004 e em 2008 publicou a colectânea Teatro. O seu mais recente livro é o Novíssimo Testamento dado a estampe em 2010 pela editora Dom Quixote e vencedor do prémio Carlos de Oliveira, galardão atribuído pela Câmara Municipal de Cantanhede - Portugal.

As músicas que nos acompanham neste programa são: Ilha de Santiago de Mário Lúcio, e O Mar e Tu, um dueto entre Andrea Boceli e Dulce Pontes.

Terça-feira, Dezembro 13, 2011

4ª Edição do Seiva das Letras - A Cabeça Calva de Deus do Poeta Corsino Fortes

Seja bem vindo ao Seiva das Letras. O nosso convidado de hoje é o poeta Corsino Fortes.

CORSINO António FORTES nasceu a 14 de Fevereiro de 1933, em Mindelo, São Vicente. Licenciado em Direito (Lisboa, 1966), veio a exercer várias funções políticas e administrativas. Já foi ministro e secretário de estado, embaixador de Cabo Verde junto de alguns países, por exemplo, Portugal.

Desde cedo abraçou a causa da luta de libertação nacional. O conhecimento profundo da história do país, sendo alias um dos seus obreiros, Corsino Fortes conta, ou senão canta, esta história de forma poética e épica nos seus três livros de poema, Pão & Fonema (1973), Árvore & Tambor (1986) e Pedras de Sol & Substância (2001) depois reunidos nesta Trilogia que é a obra a Cabeça Calva de Deus.

Como escreve Ana Mafalda Leite no posfácio deste livro que a Cabeça Calva de Deus, apresenta-se como uma trilogia fundacional e épica da história do país. Diz ainda que nesta obra se lê um percurso que começa por anunciar a libertação do país, o festeja em tom celebrativo e o dignifica na sua solaridade cultural.

Pois é... A grandeza da obra de Corsinno Fortes é reconhecida em vários países, faz parte de colectâneas de vários países, infelizmente ainda não ganhou o prémio Camões.

Mas Corsino fortes já foi condecorado pelo Governo Português com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique e com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito; pelo Governo Francês com o Grand Officier de l’Ordre e pela Presidência da República de Cabo Verde com a Ordem do Vulcão.

Actualmente Corsino Fortes é Presidente da Associação de Escritores Cabo-verdianos.

Para além da leitura, aprecie as duas ofertas musicais: o dueto entreMariza e Tito Paris na música Beijo de Saudade, e a música Opera n.º2 do cantor russo Vitas.

3ª Edição Seiva das Letras - Carta de Uma Desconhecida de Stefan Zweig

Nesta terceira Edição do SEIVA DAS LETRAS Stephan Zweig faz as honras da casa. Ele nasceu em viena-Áustria a 28 de Novembro de 1881. Estudou folisofia e começou a escrever poemas e dramas. Tornou-se mais famoso quando começou a escrever histórias curtas, que tivera grande exito. Zweig era um çavido pacifista. Ele sonhava com uma europa unida. A 1ª guerra mundial machocou-o profundamente. Por ser judeu teve de deixar a Áustria. Viajou por muitos países a procura de paz de espírito. Infelizmente não a encontrou em nenhuma parte, e o seu desespero concernente a guerra fê-lo cometer suicídio em Petrópolis no Brasil, a 22 de Fevereiro de 1942.

O Conto que lemos nesta edição, "Carta de Uma Desconhecida", narra a história de um escritor que recebe uma carta de uma mulher que gostou dele toda a vida em silêncio. Ela conheceu-o quando ara ainda uma adolescente. Envlveu com o escritor,mas para o escritor foi apenas uma aventura passageira. Depois de três noites de aventura a menina fica grávida e, no entanto, os pais mudam para uma outra provincia, a jovem teve o filho que idolatrava como se fosse o retrato vivo do homem que amava perdidamente. No entanto, a criança veio a sucumbir de uma pneumonia e ela entra em desespero. Tenta de novo procurar o escritor, todos os dias ficava horas na sua porta, passava por ele na rua mas o escritor não a reconhecia de maneira alguma. Vendo que aquele amor seria impossível e com a morte do filho resolve suicidar-se. Mas antes escreve uma carta ao escritor confesssando o seu amor que o escritor nunca chegou a saber.

Aprecie também as músicas que nos acompanham nesta edição: Cartinha na voz de Lura e Mujer na voz do Tenor Placido Domingo, um dos grandes responsáveis pela popularização da Opera no mundo.

Sábado, Outubro 22, 2011

2ª Edição Programa Seiva das Letras - João Manuel Varela

Olá! Aprecie mais um cálice de Seiva das Letras - Todo o prazer da leitura.

Neste programa n.º2 leio um trecho de "O Estado Impenitente da Fragilidade" de G. T. Didial, heterónimo de João Manuel Varela.

Já sabe que tem direito a duas ofertas musicais: Mas UM Pintor de Jorge Humberto, e Magic Flute - Queen of Night Aria. Uma Composição de: Wolfgang Amadeus Mozart -
Interpretada por Diana Damrau e participação de Dorothea Röschmann, numa produção de: Royal Opera House



O nosso convidado João Manuel Varela , ou se quiser G. T. Didial, João Vério, Timóteo Tio Tiofe, que são seus heterónimos, é um dos escritores mais profícuos de Cabo Verde. No entanto, como havíamos dito, pouco conhecido pelo grande público. Talvez pela sua escrita muitas vezes erudita edos seus temas não serem muito populares. Como disse o jornalista José Vicente Lopes “falar de João Manuel varela é uma tarefa delicada e complexa, porquanto grande, heterogénea e sofisticada é a obra deste homem, tanto por causa do tipo de material por ele utilizado, como pelo tratamento linguístico e estético que confere às suas criações literárias”.

Uma frase de António Jacinto Pascoal resume bem a complexidade do escritor e a frase diz: Magífico poeta, o João Varela. Como todos os magníficos, terrível.

O escritor e cientista João Manuel Varela nasceu a 7 de Junho de 1937, em Mindelo, ilha de São Vicente e morreu a 7 de Agosto de 2007 na sua cidade de Micadinaia como se referia a Mindelo.

Formado em medicina pelas universidades de Coimbra e Lisboa, João Manuel Varela viveu largos anos na Europa, sobretudo na Bélgica, sendo doutorado pela Universidade de Antuérpia, onde pôde desenvolver as suas investigações no domínio do cérebro (neuropatologia e neurobiologia, em particular).
Nas suas andaças pelo mundo, Varela também viveu em Angola e no Lesoto, nos anos 70 e 80, tendo regressado a Cabo Verde em 1998 depois de uma ausência de mais de 40 anos.

Integrou-se no ISECMAR, onde passou a leccionar Citologia e Fisiologia Celular, até contrair a doença que o afectou para o resto da vida.
Em S. Vicente, fundou a Academia de Estudos de Culturas Comparadas, AECCOM, que publicou vários números da revista “Anais”.

Poeta, contista, romancista e ensaísta, como escritor, J.M. Varela usava como pseudónimos João Vário e Timóteo Tio Tiofe (poesia) e G. T. Didial (ficção e ensaios).

A sua obra, em especial a poética, é considerada pela generalidade da crítica como uma das mais complexas e ricas produzidas por um criador cabo-verdiano.

Varela publicou, em 1975, com o pseudónimo de Timóteo Tio Tiofe, aquele que é considerado um dos marcos da poesia cabo-verdiana pós-Claridade: “O primeiro livro de Notcha”, tendo se seguido, em 2001, “O segundo livro de Notcha”.

Mas é como João Vário que se impôs de forma incontornável nas letras cabo-verdianas, com uma série de livros denominados “Exemplos”, alguns dos quais escritos directamente em francês e inglês.

O romance “O estado impenitente da fragilidade” e os dois volumes de “Contos da Macaronésia”, além de textos dispersos, completam a bibliografia deste autor cabo-verdiano.

Além da literatura J.M. Varela, é também autor de uma vasta produção de carácter científico, parte da qual se encontra publicada de forma dispersa em revistas especializadas.

A par do químico Roberto Duarte Silva, Varela é o único cabo-verdiano que deixa o seu nome associado a descobertas na área médico-científica, nomeadamente o “sindroma de Varela”, um líquido existente no cérebro e que tem uma função considerada importante.

1ª EdiçãoPrograma Seiva das Letras - Vergílio Ferreira

Benvindo ao Seiva das Letras - todo o prazer da leitura.

Este é o primeiro programa com produção profissional, gravado na RCV. Neste primeiro número do Seiva das Letras lemos o conto Adeus de Vergílio Ferreira.

Aprecie também as ofertas musicais: Morna PVB de Tito Paris e a versão ópera da música grega S’exw Kanei Theo,na voz de Sandra Radvonosky.

Fique também a conhecer a bibliografia de Vergílio Ferreira.



Virgílio Ferreira. Romancista e ensaísta português, natural de Melo (Gouveia), nasceu em 1916 e morreu em 1996. licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e exerceu a função docente no Ensino Secundário. Notabilizou-se no domínio da prosa ficcional, sendo um dos maiores romancistas portugueses do século XX.
Em 1992 recebeu o Prémio Camões.
Iniciou a sua produção literária em 1943 com a obra O Caminho Fica Longe.
Literariamente, começou por ser neo-realista (anos 40), com "Vagão Jota" (1946), "Mudança" (1949), etc. Mas, a partir da publicação de "Manhã Submersa" (1954) e, sobretudo, de "Aparição" (1959), Vergílio Ferreira adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista. O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra que, aliás, acaba por influenciar a sua criação romanesca. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores, a arte, são recorrentes na sua produção literária.
Das suas últimas obras destacam-se: "Espaço do Invisível", "Do Mundo Original" (ensaios), "Para Sempre" (1983), "Até ao Fim" (1997) e "Na tua Face" (1993).
Temos entre mãos a coletânea “Contos” que reúnes contos de Virgílio Ferreira entre 1945 e 75. Para lermos daqui a pouco... “Adeus”.

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

Bárbaro de Mim

Eu sinto um bárbaro entre romanos!
Minha alma de poeta,
Não é compreendida neste planeta.

Minha rima não tem imã,
Nem cativa minha diva.
Não há lugar para romeus,
Neste palco de ateus.




Tradução:

I feel like a barbarian Among Romans!
My poet soul,
It is not understood in this planet!

My rhyme do not have magnet,
Nor it captures my diva.
There is no place for Romeos
In this stage of atheists.

Faro, 2002.

Segunda-feira, Janeiro 10, 2005

Saudades do Amor

A saudade de ti
Floresce dentro de mim
Corre nas minhas veias
Como trepadeiras.
Sinto-a invadir meu coração!

Minha alma guerreia entre risos e soluços
A angustia seca-me a garganta
Meus olhos pasmos
Tentam encontrar teu sorriso casto
Por entre as névoas de uma miragem.

Mindelo, 1997.

Apenas Um Sonho

Que noite romântica!
Tu e eu na minha cama,
Envolvidos num profundo amor,
Nossos corpos nus queimando-se de calor,
Fixemos sexo toda a noite.

Eu, perdido entre teus cabelos suados
Deslizando no teu corpo transpirado,
Descobria em cada canto mil encantos,
Em cada onda uma paixão.
E tu estavas mais bela do que bonita
Na bendita noite!
Me amaste com todo o amor e ardor,
Parecias uma mestra do sexo
Endoidecendo-me a cada segundo

Mas, o sol raiou na minha janela
E eu acordei abraçado ao meu travesseiro
Aiiii!!!... que grito de raiva
Tu já não lá estavas mais.
E como todo o sonho acordei para a realidade
Onde me desprezas e nem sequer olhas pra mim.

Mindelo, 1996.

Natal Tal e Qual.

Natal
Tal
E qual
Só na minha terra natal.

Aqui em Portugal
Que pensava ser o País ideal,
Que se celebrasse um genial natal
Isto parece mais um funeral.

Hoje não parece o dia em que nasceu
Mas sim que morreu
O tal espírito de luz
Chamado menino Jesus.

Não exijo de vós um festival musical
Nem pois, um carnaval de pai natal
Mas, é certo que, esperava o natural.
Vós o povão que se diz cristão
Ao menos neste dia uma procissão.

Mas não.
Para vós isto não é coisa popular
Já basta um jantar familiar.
Mas lembrem-se que no primeiro natal
Até estava lá presente animal.
Não vos quero deixar a mal
Mas...
Natal
Tal
E qual
Só na minha terra natal.

Braga, 1999.

Homens de Lama.

Aonde vai esta multidão de gentes estranhas?
Todas apressadas como formigas...
Sem desviar as caras pintadas vão atrofiadas.
Algumas de caras irónicas,
Vestidas de roucas estranhas...
Oh! Vão para a cidade
O Mindelo está invadido de gente louca
Que barulho de tambores é este?
Que cantares!?
Ah! Já me lembro! É a festa dos sãovicentinos.
É o carnaval!

Já ouço o som dos bombos e das caixas
O trac trac dos tamborinhos
São os pandeiros que tilintam...
Lá vem as fileira cantando,
Gritando e sambando.
Que vestes bonitas!
São múltiplas as roupas garridas e policromas!
É o bloco dos Vindos do Espaço!
Vem todo movimentado e iluminado...
Olá astronauta!?
Como está lá em cima oh rainha espacial!!

Mas... onde estão os outros?
Não vejo as coisas de outrora
Que eu em tempo de menino
Enfrentava a multidão, as pisadas, os engoches Para ver.

Onde estão os dragões de boca de lume?
E as girafas... os leões...?
Para onde foram as morenas de biquinis?
São poucas as sereias de agora!
Já não vejo o capitão tradicional...
Onde estão o Flores de Mindelo e os outros?
Todos simples espectadores!?
Nem vejo o gigante de pernas de pau...!
Só caixões... e as bailarinas?

É por isso que o teu sorriso se estreitou ó Mindelo?
Mas não fique com essa cara triste
De quem perdeu o filho.
Ponha pelo menos uma mascara irónica para disfarçar.
Talvez venha mais blocos mais tardinha...
Olha! Vem aí uma fileira lá em baixo!
Ops, desculpe-me! Vou correr pro outro lado...
- São os homens de lama!

Mindelo, 1996.

Parto Enfim Alegre e Triste.

Chegou enfim, a hora do adeus, Faro!
Meu espírito peregrino vem rezar sua última confissão.
Minhas palavras sabem a salitre do mar das ilhas,
Meu choro é seiva da tua ria que goteja.

Parto enfim, alegre e triste!
Levo uma mala cheia de palavras novas,
E o saco roto das velhas saudades.

Adeus, moças de olhos azuis!
Essas metáforas de oceano que trazem nos rostos
Foram refúgios de consolo para a minha saudade,
Onde agora deixo minha alma ancorada em lágrimas.

Adeus, colegas caras pálidas!
Direi aos meus amigos de infância,
Que afinal terra longe não tem gente gentio.
Direi à minha imaculada avó,
Que conheci gentes com coração benigno igual à dela.

Adeus, professores, adeus!
Minha alma foi o quadro negro
Onde gravei vossas palavras sábias.
Nesta hora derradeira em que me turvem os olhos,
Poisem os livros, e aceitem este aperto de mão tremido.

Adeus, Faro, adeus!
Parto enfim, alegre e triste!
Nesta hora de despedida,
Permite-me esta honra, de a minha confissão,
Ser mais um eco entre as memórias das tuas muralhas.

Tradução

It is finally time to say good-bye, Faro!
My pilgrim spirit comes to pray its last confession.
My words taste like salt of the islands sea,
My cry is sap of your laughed that drips.

Good-bye, Faro good-bye!
Finally, I’ll go cheerful and sad!
I'm taking a suitcase full of new words
And the broken sack of the old longings.

Good-bye, blue eyes young girls!
Those ocean metaphors you bring in your faces,
Were consoles refuges for my longing
Where, now, I leave my soul anchored in tears,

Good-bye, pale faces colleagues!
I will say my childhood friends,
That after all, faraway earth, do not have heathen people.
I will say my immaculate grandmother,
That I met people with a benign heart like hers.

Good-bye teachers, good-bye!
My soul was the blackboard,
Where I print your intelligent words.
On this last hour, with my eyes cloudy,
Put down the books and accept this shaken handshake.

Good-bye, Faro good-bye
Finally I’ll go, cheerful and sad!
On this farewell hour, allows me this honor
For my confession to be another echo among the memories of your walls.

Faro, 2003.

SOS Mamãe África

Mamãe África, na tua infância ingénua
Foste filha bastarda e ilegítima do mundo.
Negaram-te o direito de existência própria,
Exploraram o teu corpo, sugaram os teus frutos,
Sustentaram-te com o pão que o diabo amassou.
Puseram-te na escola da tortura,
Aprendeste o ABC da escravidão.

Já na juventude imatura
Arregaçastes as saias e mostraste mulher
Todos quiseram te repartir como uma prostituta.
Quiseste ser livre,
Deram-te uma carta de alforria assinada com balas de fogo.
Olhaste a tua volta
Descobriste as mágoas da tua sina:
Teus olhos vazaram lágrimas de sangue,
Ao veres os teus filhos uns contra os outros.
Entristeceste com a pobreza,
Frustraste com as doenças.

Agora na tua idade adulta
Continuas uma criança tímida.
Insultam-te como devedora e ficas calada
Chamam-te ignorante e não dizes nada
Acham-te inferior e sorrias para eles
Continuam a te governar e já não precisam de correntes e chicotes:
Bofeteiam-te com mãos de luva branca
E aperte-lhes a mão calorosamente.
Enganam-te com truques virtuais de capitalismo e os abençoas

Mas que sina Mamãe África!
Que fizeste ao mundo e aos deuses
Para seres o contentor dos seus males?
Até quando Mamãe África?
Até quando vais deixar que te roubam os rebuçados aos teus filhos
Em troca de chuchas de consolo?
Até quando? Quando Mamãe África?
Quando tomas juízo?
Quando, quando...

Faro, 2001

Os 5 Sentidos da Saudade

Vejo ainda na miragem dos tempos
O meu bairro singelo da infância.

Ouço ainda a voz menina
Ecoando no céu soalheiro

Cheiro ainda a terra abatida
Onde plantei suor nas brincadeiras de “hands up”

Sabe-me ainda o gosto mágico da cachupa

Tacteio ainda no vão da minha imaginação
O semblante franzido da minha da minha avó
Pasmada no tempo dos mitos.

Faro, 2001

Estudante Africano

Que olhares indiferentes são esses?
Que cinismos escondem esses sorrisos amarelos?

Saibam que:
Eu já não sou mais, aquele que arrasta correntes nos pés,
Nem trago mais algemas no pensamento.

Eu já não sou mais, aquela feiúra de rosto esfomeado,
Estampado nos anúncios de misericórdia

Já não sou mais aquele esqueleto barrigudo de gente,
De olhar vã nas lamas dos campos de refugiados.

Eu já não sou mais um número de estatística,
Que anuncia a minha morte daqui a dez minutos.

Eu já não sou mais capa de revistas trágicas,
Nem foco das máquinas dos jornalistas que disparam indiferentes,
Entre a multidão de gente desnuda sem pão.

Já não sou mais o mutilado “rebenta minas”
Que deixa rastos de sangue pelo caminho.

Já não sou mais o camponês que planta em Marte.
… Eu sou o clamado poema diferente!

Eu sou o poema,
Que poetas de versos de guerra,
E rimas de fome,
Sonharam escrever sem manchas de sangue.

Eu sou a raiz e o fruto da filosofia de Cabral.
A realidade da utopia africana.

Eu sou o grito de esperança,
Que saiu da goela dos combatentes,
O trofeu da revolução,
O choro tornado riso.

Eu sou o soldado de livro em punho
Que caminha certo e com sorriso na fidúcia do rosto
Eu sou este... O Estudante africano.

Faro, 2001.

Adeus

Adeus meu amor, minha flor!
Vou-me embora esposar a solidão.

O meu amor é grande demais.
Arrebenta com as artérias do meu coração,
Inflama a minha alma,
E deixa-me a andar atrofiado no fio da navalha.

Vou-me embora para sempre,
E deixo a chave da vida
Depositada no fundo do mar.

E pensar que todo o crime que cometi
Foi amar alguém
Mais do que um coração humano pode receber!

Ai, se soubesses!
Se soubesses o quanto te amei!?
Tanto quanto amo agora a solidão:
Minha verdadeira esposa.
Adeus meu amor! Adeus!

Faro, 1999.

Utopia


Fui plantar cabos de éden no istmo da minha alma,
Para que meus versos desérticos rimassem com o verde do nome do meu país.

Tentei salivar rios de água doce entre vales de pastagem;
Asfaltei minha própria língua,
Para que ilha rimasse com progresso.

Mas, minhas palavras pedregosas só me dão versos de rochas nuas!
Minha alma é um pé de pinheiro que dança com o vento leste!
Meu choro raro é chuva míngua em terra seca!

Escavei bem fundo meu coração vulcão,
Na esperança infausta de encontrar o germe pão.
Só encontrei uma guisa de morna
Entrançado num riso de morabeza.

Faro, 2000.

Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

Bárbaro de mim

Eu sinto um bárbaro entre romanos!
Minha alma de poeta,
Não é compreendida neste planeta.

Minha rima não tem imã,
Nem cativa minha diva.
Não há lugar para romeus,
Neste palco de ateus.

Tradução:

I feel like a barbarian Among Romans!
My poet soul,
It is not understood in this planet!

My rhyme do not have magnet,
Nor it captures my diva.
There is no place for Romeos
In this stage of atheists.